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A pouco mais de 15 dias para o primeiro turno das eleições municipais deste ano, a preocupação do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é com os impactos da seca severa que atinge o Estado. Com a descida dos rios, 120 mil eleitores podem ter dificuldades para votar no próximo dia 6 de outubro.
A estiagem na região amazônica entrou no radar da presidente do TSE, Cármen Lúcia, desde que as autoridades começaram a se preocupar com o fenômeno. A principal preocupação é que a população de alguns municípios tenha dificuldade na locomoção até os colégios eleitorais.
“O Brasil vê uma estiagem que compromete a vida das pessoas, e esperamos que nós, seres humanos, que tanto contribuímos para a situação de gravidade climática no país, sejamos capazes de equacionar, aportar propostas e adotar condutas que façam com que a gente saia dessa condição de destruição”, disse Cármen.
Um monitoramento do TRE-AM aponta que 263 locais de votação serão afetados pela estiagem recorde que atinge a região. Com rios secos e sem alternativas de transporte por terra, esses eleitores podem não conseguir se deslocar para votar. São 504 seções eleitorais nessa situação, de acordo com dados atualizados em 12 de setembro.
A situação é ainda mais crítica em 12 municípios, classificados pelo TRE-AM em condições impeditivas. Neles, o local de votação possivelmente ficará isolado e deve exigir o uso de helicópteros. Quase 16 mil eleitores votam nessas áreas, que abrangem 35 locais de votação e 67 seções.
O levantamento do TRE-AM traz também locais com condição severa e moderada. Na condição severa, que abrange locais com dificuldade muito grande para se chegar e que podem depender de transporte animal, são 108 locais de votação, 192 seções e 44 mil eleitores atingidos.
Já na moderada, estão áreas que apresentam dificuldade, mas que podem ser acessadas com pequenas embarcações, como lanchas. Nessa categoria estão 120 locais de votação, 245 seções e mais de 60 mil eleitores atingidos.
Apesar das dificuldades, o TRE-AM garante que não existe a possibilidade de adiamento ou de cancelamento das eleições.
O TRE-AM já começou a traçar estratégias para garantir que as urnas e os próprios cidadãos consigam chegar aos locais de votação “sem grandes problemas”. No último dia 11 de setembro, o Gabinete de Gestão Integrada apresentou um planejamento para a realização do pleito.
Segundo o desembargador João Simões, presidente do órgão na ocasião, a eleição de 2024 exigirá um “esforço de guerra” para garantir o direito do voto dos eleitores amazonenses.
Integrantes do TRE do Amazonas estão em contato com a Defesa Civil para tentar ajustar a logística do funcionamento de seções no interior do Estado. Os juízes eleitorais de cada município foram acionados ajudar a traçar estratégias para serem adotadas.