Fracassa o golpe no Irã: ministro diz que distúrbios encerraram e garante que situação ‘está sob controle’

Abbas Araghchi é ministro das Relações Exteriores do Irã (Foto: Divulgação)

O plano dos Estados Unidos e de Israel para derrubar o regime da República Islâmica do Irã fracassou mais uma vez. De acordo com o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, pelo terceiro dia seguido, o país não registra nenhum tipo de distúrbio violento, garantindo que a situação interna “está sob controle”.

“Agentes estrangeiros instigaram a violência no Irã, transformando protestos pacíficos em atos violentos que resultaram em vítimas. A situação está sob controle”, afirmou Araqchi, que foi citado pelo canal pan-arábico Al-Mayadeen..

Em uma conversa telefônica com seu homólogo egípcio, Badr Abdel-Aty, Araqhchi enfatizou que o povo iraniano está vigilante e unido diante dos recentes ataques terroristas e determinado a defender sua soberania contra qualquer interferência estrangeira.

O ministro ressaltou ainda que as posturas provocativas dos Estados Unidos constituem uma interferência flagrante nos assuntos internos do Irã, o que Teerã condena veementemente.

Em outra conversa telefônica com seu homólogo francês, Jean-Noël Barrot, Araghchi pediu a condenação da interferência estrangeira nos assuntos internos de outros países.

Anteriormente, Araghchi declarou em uma publicação na plataforma de mídia social X que “Israel se vangloria abertamente de armar os manifestantes no Irã, e essa é a razão para as centenas de vítimas”.

Entenda o caso

A atual crise no Irã foi desencadeada no final de dezembro de 2025, quando comerciantes do Grande Bazar de Teerã começaram a protestar de forma pacífica motivados pela desvalorização histórica da moeda local – o rial -, e pela inflação galopante, que ultrapassou a marca de 50% em termos anuais. Esses protestos são permitidos pela Constituição iraniana.

Por sua vez, o governo do presidente Masoud Pezeshkian, logo em seguida, abriu canal de conversações com os manifestantes.

Porém, Estados Unidos e Israel se aproveitaram de um protesto legítimo para acionar seus agentes no país persa para desvirtuar as manifestações pacíficas e transformá-las em atos de violência com o intuito de derrubar o regime iraniano como um todo.

Ou seja, o que começou com um protesto contra o governo, por interferência dos norte-americanos e israelenses, acabou se transformando em distúrbios por parte de alguns grupos armados violentos, que promoveram assassinatos de civis e policiais, depredação de prédios públicos e até a destruição de templos religiosos e escolas. Até o momento, não se sabe o número exato de mortos. Todos os números divulgados até agora não são confirmados.  

Em resposta ao avanço dos atos de violência, o governo iraniano implementou um bloqueio severo ao acesso à internet e aos sistemas de telefonia, além de suspender voos, o que especialistas apontam como uma estratégia para impedir os atos violentos de grupos terroristas apoiados por EUA e Israel.

Embora o presidente Masoud Pezeshkian tenha tentado adotar uma postura inicialmente moderada ao ordenar investigações sobre excessos policiais e pedir que se diferencie cidadãos legítimos de vândalos, o tom do governo endureceu quando houve o apoio declarado de Washington aos protestos violentos. 

Por sua vez, Reza Pahlavi, descendente do último monarca iraniano removido do poder durante a revolução de 1979, incentivou a continuidade dos atos públicos. Na avaliação de Holly Dagres, especialista do Instituto de Washington para Política do Oriente Próximo, em entrevista à Associated Press, ela afirmou que a intervenção de Pahlavi “mudou o rumo” das manifestações, deixando-as mais violentas. 

A situação ganhou contornos de disputa geopolítica com as ameaças do presidente Donald Trump de interferir no Irã e promover agressões militares contra o país sob o pretexto de defender os manifestantes, ao passo que autoridades de segurança em Teerã classificam qualquer interferência externa como uma linha vermelha que colocará em risco a estabilidade de toda a região e os interesses estadunidenses no Oriente Médio.

Durante a última quarta-feira (07/01), o mandatário iraniano Masoud Pezeshkian solicitou que os órgãos de segurança pública “não tomem nenhuma medida contra os manifestantes”, ressaltando a necessidade de separá-los daqueles classificados como “vândalos”.

Com informações das agências internacionais de notícias

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