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Ao menos oito pessoas foram presas, na manhã desta sexta-feira (20/02), no âmbito da operação “Erga Omnes”, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) para desarticular uma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas que atuava dentro de diferentes esferas do poder público, incluindo a Prefeitura de Manaus, a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) e o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). Conforme informações da polícia, a organização criminosa movimentou mais R$ 70 milhões, sendo aproximadamente mais de R$ 9 milhões desde 2018.
Segundo a PC-AM, os mandados de prisão e de busca e apreensão foram cumpridos em Manaus e outros seis estados, além do Amazonas: Pará (em Belém e Ananindeua), Minas Gerais (Belo Horizonte), Ceará (Fortaleza), Piauí (Teresina), Maranhão (Estreito) e São Paulo.
De acordo com o delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), as apurações revelaram a presença do Comando Vermelho (CV) dentro da estrutura do poder público no Amazonas.
Entre os principais presos estão Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e advogada que integra a Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e foi chefe de gabinete do prefeito David Almeida -, Izaldir Moreno Barros, que é motorista da desembargadora Nélia Caminha Jorge, e Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas. Todos os presos foram conduzidos ao 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP).
Conforme a polícia, Anabela Cardoso Freitas foi assessora direta do prefeito David Almeida. Ela também é servidora de carreira da Polícia Civil do Amazonas, no cargo de investigadora, e possui registro ativo na Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB/AM nº 5.094). Anabela teria movimentado R$ 1,5 milhão para a facção por meio de empresas de fachada.
Por conta da operação, toda a agenda do prefeito David Almeida prevista para hoje foi cancelada. Por meio de nota, a Prefeitura de Manaus afirmou que “não é alvo da operação realizada nesta sexta-feira (20/02), pela Polícia Civil do Estado do Amazonas”.
“Conforme informado pelas próprias autoridades, nem o prefeito David Almeida nem a estrutura administrativa do município integram o objeto da investigação”.
A Prefeitura de Manaus, porém, em sua nota, não negou que Anabela Cardoso Freitas tenha trabalhado no gabinete do prefeito e nem negou que ela seja servidora da administração municipal. Por sua vez, nem o TJAM e nem a Aleam se manifestaram sobre o assunto até o momento.