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Por meio de nota, governador negou qualquer participação com o crime organizado

O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), após ter sua gestão envolvida na operação ‘Erga Omnes”, da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), resolveu responder ao fogo cruzado e acusou o governador Wilson Lima (União Brasil) de ser o chefe de uma quadrilha envolvida com o crime organizado no Estado.
“Segundo o STJ (Superior Tribunal de Justiça), o governador do Amazonas é o chefe de uma quadrilha, de um organização criminosa, da qual pertencem esse delegado e o secretário de Segurança”, afirmou em referência ao delegado Marcelo Martins, que comandou a operação “Erga Omnes” e ao titular da pasta da Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM),coronel Marcus Vinícius de Almeida.
A declaração de David Almeida foi dada, nesta segunda-feira (23/02), durante uma coletiva convocada para anunciar sua pré-candidatura ao Governo do Estado.
Segundo o prefeito, Wilson Lima está por trás da operação “Erga Omnes”, deflagrada no último dia 20 de fevereiro, quando nove pessoas foram presas acusadas de serem integrantes de uma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional, com ramificações em diversos estados do país. David Almeida tentou desqualificar a operação e chamou o delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), de “covarde”.
“Essa operação ‘Erga Omnes’ é tão autêntica quanto uma nota de trezentos reais”, disse.

Entre as pessoas presas na operação “Erga Omnes” está Anabela Cardoso Freitas, investigadora da Polícia Civil e advogada, que foi chefe de gabinete do prefeito David Almeida. Segundo as investigações da PC-AM, ela teria movimentado em torno de R$ 1,5 milhão em favor da facção Comando Vermelho por meio de empresas de fachada, acusação negada pela defesa dela.
Anabela teria ainda comprado passagens aéreas para David Almeida na agência do empresário Alcir Queiroga Teixeira Júnior, também preso na operação “Erga Omnes” por suposta participação no esquema financeiro que movimentava valores suspeitos para a organização criminosa.
Segundo David Almeida, a operação visa “sujar” o seu nome e não combater o crime organizado. “O Estado está sendo instrumentalizado para me atingir politicamente. É uma cortina de fumaça. Agora, estão investigando passagens aéreas. E o tráfico de drogas? E o Comando Vermelho? Não tenho nenhuma ligação com nenhum tipo de crime e muito menos com organizações criminosas”, disse, ao destacar que no governo Wilson Lima, ocorreram 11 operações da Polícia Federal (PF).
David Almeida afirmou ainda que Anabela e o Queiroga são pessoas idôneas. “Anabela é uma pessoa de minha confiança, é inocente e ainda vai trabalhar comigo”, completou ao defender a inocência dela. “Eu não jogo ninguém na água. Acusação não é sentença”, acrescentou.
David Almeida procurou evitar fazer ataques diretos ao senador Omar Aziz. Ele afirmou que tem “respeito” e “admiração” pelo parlamentar, porém, destacou que decidiu se afastar do cacique do PSD nas eleições 2026 por se sentir “intimidado”. “Espero que ele continue no Senado, pois é um grande senador e não governador”.
Segundo o prefeito, ele soube da operação “Erga Omnes” em outubro do ano passado na casa do senador. Omar Aziz, até o momento, não comentou as declarações de David Almeida.
O Governo do Amazonas reagiu às declarações do prefeito David Almeida. Por meio de nota, o Executivo Estadual afirmou que “repudia com veemência as declarações feitas pelo prefeito David Almeida, que optou por atacar o Governo, o Governador do Estado e as Forças de Segurança Pública de forma irresponsável e sem qualquer comprovação”.
Segundo o governo, a PC-AM tem feito um trabalho técnico e sem nenhuma conotação política. “É inaceitável que, diante de investigações sérias conduzidas pela Polícia Civil do Amazonas, que atua com autonomia e respaldo legal, o prefeito tente criar uma narrativa de perseguição política para desviar o foco dos fatos. A Polícia Civil do Amazonas não age por motivação política. Age com base em provas, procedimentos legais e responsabilidade técnica”, disse.
Por fim, a nota do Governo do Estado pede equilíbrio por parte do prefeito de Manaus. “O momento exige equilíbrio e maturidade. É compreensível que o prefeito esteja abalado diante das circunstâncias que envolvem pessoas de sua confiança, em investigações relacionadas ao crime organizado. Porém, o Governo do Amazonas não permitirá que a verdade seja distorcida para atender interesses políticos ou eleitorais. O Governo do Estado seguirá trabalhando com responsabilidade, fortalecendo a Segurança Pública e respeitando a autonomia dos órgãos de investigação e do Poder Judiciário”.