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Jorge Folena avalia que desgaste provocado por narrativas da mídia e pelo caso Banco Master esconde avanços econômicos

Pela primeira vez, uma pesquisa Queast mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno: ambos com 41% das intenções de voto. O levantamento confirma a consolidação do nome do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro como herdeiro político do bolsonarismo e escancara um cenário de polarização que remete à eleição de 2022.
Para o advogado e cientista político Jorge Folena, a aproximação nas pesquisas não surpreende. “Flávio Bolsonaro está herdando aqueles eleitores que votaram no pai dele. Os que acreditam e confiaram no projeto do bolsonarismo estão acompanhando a candidatura do Flávio”, afirma no Conexão BdF da Rádio Brasil de Fato.
Do outro lado, o presidente Lula enfrenta o que o analista chama de “tentativa de apagamento das realizações do governo nos últimos três anos”. Apesar de todos os indicadores sociais e econômicos terem melhorado em relação ao governo Bolsonaro – com queda do desemprego, recuperação de programas sociais e investimentos -, a percepção de parte da população é de que a economia piorou.
“Alguma coisa não está chegando na ponta. Se as pessoas não têm a percepção de que a economia melhorou, o governo não está conseguindo comunicar os seus êxitos”, avalia Folena. Ele acredita que esse cenário pode mudar com o avanço da campanha eleitoral. “Quando a campanha ganhar mais espaço, o debate sobre projetos virá à tona. O projeto de Flávio Bolsonaro é neoliberal, atenta contra a soberania e prejudica a classe trabalhadora. O projeto de Lula é de recuperação da soberania e do desenvolvimento”.
Folena aponta que o escândalo envolvendo o Banco Master, que nada tem a ver com o governo, tem contaminado o cenário político e contribuído para o desgaste. “Desde novembro e dezembro do ano passado, o caso contamina o cenário político porque desgasta figuras do Supremo Tribunal Federal. É uma campanha muito violenta para apagar a imagem do STF, principalmente do ministro Alexandre de Moraes”.
O analista lembra que o Banco Master se desenvolveu durante o governo Bolsonaro, mas isso não é atacado pela mídia. “O que é atacado são os ministros do Supremo. Isso gera um desgaste que acaba fazendo com que a sociedade não perceba a melhoria da qualidade de vida. Os meios de comunicação tentam colocar que tudo no Brasil está ruim, e as pessoas começam a repetir isso”.
Folena também analisa o aumento do custo de vida para a classe trabalhadora — um fenômeno que não é exclusividade brasileira, mas global. “Esse aumento do custo de vida é um reflexo do que a gente chama de financeirização do custo de vida. Tudo ficou financeirizado. O prato de comida virou commodity”.
Ele explica que atividades essenciais, como transporte, energia e rodovias, foram privatizadas e agora são controladas pelo setor financeiro. “Quem controla esses monopólios são bancos e fundos como a BlackRock. Isso faz aumentar demais o custo para a classe trabalhadora, que tem que trabalhar muito mais horas para sobreviver“.
Esse cenário, segundo o advogado, abre espaço para o fascismo. “O fascismo se vale exatamente disso. Eles falam que estão defendendo os interesses da classe trabalhadora, mas, na verdade, defendem os interesses dos muito ricos, da concentração de capital. É isso que está em disputa no Brasil”.
A pesquisa Queast mostra o governador do Paraná, Ratinho Júnior, com apenas 7% das intenções de voto — um indicador de que a chamada “terceira via” não tem espaço neste momento. Para Folena, isso é sintoma da fragmentação da direita liberal após o golpe de 2016.
“A classe dominante brasileira se perdeu politicamente depois do golpe de 2016. O processo de criminalização contra o PT, os sindicatos e a prisão de Lula abriu espaço para os fascistas, que mentem para a classe trabalhadora mas no fundo defendem os interesses dos mesmos grupos. A direita liberal não tem uma candidatura. Só restaram dois campos”, destaca.
Folena alerta para possíveis interferências externas nas eleições brasileiras, especialmente após as recentes movimentações do governo Trump, que ameaça classificar organizações criminosas brasileiras como “terroristas” — o que abriria precedente para intervenções.
“O presidente Lula é um defensor da soberania nacional. Jair Bolsonaro entregou a base de Alcântara para os Estados Unidos no primeiro governo Trump. A família Bolsonaro conspirou contra a soberania nacional, com Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos tramando contra os interesses brasileiros”, pontua.
O analista é enfático: “Donald Trump não vai dar nenhuma retaguarda para a reeleição de Lula. Ele vai defender o segmento da política brasileira representado pelo bolsonarismo. Trump já deixou claro quando disse que havia uma ‘caça às bruxas’ no STF — estava se referindo à defesa de Bolsonaro, que praticou crime contra a soberania e a democracia brasileira.”
Para Folena, a defesa da soberania será uma tônica da campanha de Lula. “Isso vai fazer parte da campanha, porque ano passado ficou muito claro para o povo brasileiro que a família Bolsonaro entregou a soberania nacional aos interesses dos Estados Unidos. Lula é a fortaleza da soberania nacional contra os Bolsonaro, que são marcados pelo entreguismo.”