Ditadura pró-EUA do Bahrein tortura jovem até a morte, denuncia oposição

Moussawi foi brutalmente torturado antes de ser assassinado pelo regime pró-EUA do Bahrein (Foto: Divulgação)

A ditadura monárquica pró-Estados Unidos (EUA) do Bahrein liberou, nesta sexta-feira (27/03), o corpo do jovem Muhammad Al-Moussawi, que foi assassinado sob custódia após ser brutalmente torturado nos cárceres do regime bareinita na sequência de sua prisão em um posto de controle de segurança do governo há quase uma semana. O assassinato de Moussawi – a primeira de um opositor da guerra dos EUA e de Israel com a ajuda do Bahrein contra o Irã -, gerou revolta na população local e pode agravar a situação neste pequeno país em meio às tensões regionais decorrentes da campanha militar na região.

De acordo com a Sociedade Islâmica Nacional Al-Wefaq, um grupo da oposição no Bahrein, Moussawi foi “a primeira vítima das campanhas de prisão e tortura, bem como do estado de incitação e acusações de traição liderado pelo regime em conexão com a guerra contra o Irã”. “Os cidadãos se despedem do mártir Muhammad Al-Moussawi e condenam as campanhas de prisão, tortura, acusações de traição e incitação ao sectarismo”, afirmou a Al-Wefaq em um comunicado divulgado no X.

Moussawi foi preso ilegalmente sob acusações de comemorar ataques do Irã contra bases norte-americanas no Bahrein, enquanto estava com amigos em um posto de controle de segurança do país, segundo a Al-Wefaq.

“O regime do Bahrein recorreu ao assassinato do cidadão bahreinita Muhammad Sayed Mohsen al-Mousawi, da província de Muharraq, dias após sua prisão, como resultado da tortura brutal e letal praticada pelo regime contra inocentes, com o objetivo de incriminá-los em células e organizações fabricadas”, escreveu o Al-Wefaq.

“Após dias sem notícias dele, o Sr. Muhammad foi entregue como um cadáver mutilado e sem vida, dilacerado por instrumentos de tortura brutais nas mãos do regime do Bahrein, representado pelo notório Ministério do Interior, conhecido por cometer crimes contra a humanidade nos últimos anos”, acrescentou o Al-Wefaq.

Vídeos e fotos que circularam nas redes sociais mostraram o corpo de Moussawi no necrotério local, com sinais de tortura por todo o rosto, pernas, braços e pés.

Segundo Maryam al-Khawaja, defensora dos direitos humanos bareinita, Moussawi já havia cumprido 12 anos de prisão no passado por ser opor à ditadura no Bahrein. Ele foi libertado em 2024, mas foi preso novamente há alguns dias em um posto de controle e, em seguida, assassinado após sofrer tortura. O governo do Bahrein não emitiu ainda nenhum comunicado oficial sobre a morte de Moussawi.

Posição regional do Bahrein

O Bahrein, está situado em uma localização estratégica no Golfo Pérsico que abriga o quartel-general da Quinta Frota da Marinha dos EUA, mantém laços estreitos com a Arábia Saudita e os Estados Unidos. O país possui uma significativa maioria de muçulmanos xiitas – mesma vertente islâmica do Irã -, porém é governado por uma ditadura monárquica liderada por sunitas da família Khalifa, que goza de forte apoio do regime saudita.

As autoridades do Bahrein teriam prendido centenas de pessoas desde o início da guerra entre EUA e Israel contra o Irã, incluindo mulheres e crianças, e as submetido a tortura e campanhas difamatórias na mídia.

Por sua vez, o Al-Wefaq é um partido político xiita do Bahrein, que foi banido pelas autoridades em 2011. Entre 2006 e 2011, foi o maior partido no parlamento do Bahrein, com 18 representantes em um total de 40 membros.

Em 2011, protestos em larga escala eclodiram contra a família real do Bahrein em meio à Primavera Árabe. Os militares sauditas enviaram tanques para a ilha para ajudar a família real a reprimir os protestos.

Com informações das agências internacionais de notícia

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