Governado pela direita, Amazonas tem uma das piores gestões em segurança pública do país, aponta pesquisa

Wilson Lima foi governador do Amazonas por mais de sete anos e deixou o cargo neste mês de abril (Foto: Divulgação/Secom)

Governado por partidos de direita, o Amazonas possui uma das piores gestões em segurança pública do país e essa má administração tem sido percebida pelo povo amazonense. É o que aponta a pesquisa nacional “Forças de Segurança na Percepção dos Brasileiros”, divulgada pelo Instituto Veritá.

Segundo o levantamento, o Amazonas aparece com a segunda pior avaliação do Brasil na percepção da população sobre as forças de segurança, perdendo apenas para o Rio de Janeiro – que é governado pelo PL de Jair Bolsonaro e lidera esse ranking vergonhoso. De acordo com o estudo, apenas 28,8% dos amazonenses aprovam a atuação das forças de segurança, enquanto 71,2% reprovam, um dos piores índices do país. Já no Rio de Janeiro a reprovação chega a 75,3% enquanto que o índice de aprovação é de só 24,7%.

A pesquisa do Instituto Veritá, divulgada no último dia 22 de abril, foi realizada entre os dias 13 de março e 4 de abril de 2026., e ouviu mais de 40 mil brasileiros em todos os 26 estados e no Distrito Federal. O estudo mede a percepção da população sobre a atuação policial – indicador que reflete diretamente a confiança social nas instituições de segurança.

Críticas

A má atuação do Amazonas na área da segurança pública não passou “em branco” na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam). Na semana passada, o deputado estadual Dan Câmara (Republicanos) fez severas críticas à gestão da segurança pública no estado, que foi governado nos últimos anos por Wilson Lima, do União Brasil, partido de direita que tem como bandeira o suposto combate à criminalidade.

Para o parlamentar, os números confirmam uma realidade já conhecida pela população, especialmente fora da capital amazonense. “Não é surpresa. O que a pesquisa mostra é o sentimento do cidadão que não consegue registrar ocorrência, que encontra delegacia fechada, que não vê polícia na rua e que não tem resposta quando é vítima de crime”, afirmou Dan Câmara, que é presidente da Comissão de Segurança Pública, Acesso à Justiça e Defesa Social da Aleam.

Dan Câmara fez severas críticas à gestão da segurança pública no Amazonas (Foto: Divulgação/Aleam)

Dan Câmara defende a implementação de um plano emergencial para reestruturar a segurança pública no Amazonas. Isto porque, na avaliação dele, o problema neste setor é estrutural e envolve uma série de fragilidades acumuladas ao longo dos anos.

Entre esses gargalos, o parlamentar destaca o baixo efetivo policial, a ausência de policiamento comunitário, a falta de presença ostensiva no interior, além de delegacias que funcionam de forma limitada, muitas vezes apenas em horário comercial, o que compromete o atendimento à população.

“Hoje nós temos um cenário que favorece o caos. A população está desassistida, e isso se reflete diretamente na percepção negativa. Segurança pública não se faz apenas com discurso, se faz com presença, estrutura e planejamento”, declarou.

Dan Câmara também atribuiu o desempenho negativo à condução da política pública no estado. Para o parlamentar, o baixo índice de resolutividade dos crimes, que reforça a sensação de impunidade, é outro ponto crítico a ser tratado. Para ele, a falta de integração entre os órgãos, a deficiência na investigação e a sobrecarga do sistema contribuem para o agravamento da crise.

Medidas

Dan Câmara defendeu a adoção de algumas medidas na área da segurança pública como a recomposição urgente do efetivo policial, a implantação de um modelo de policiamento comunitário e de proximidade, a ampliação do funcionamento das delegacias, com atendimento 24 horas, além de investimentos em inteligência, investigação e integração das forças de segurança.

Ele também é a favor de uma política de territorialização da segurança pública, com atuação estratégica voltada para regiões mais vulneráveis, especialmente no interior do estado e nas áreas de fronteira.

“Precisamos tratar a segurança pública como prioridade absoluta. O Amazonas tem características próprias, com dimensões continentais e desafios logísticos enormes. Sem um plano estruturado, com ações emergenciais e de médio prazo, vamos continuar convivendo com indicadores negativos e com a população desacreditada”, concluiu o parlamentar.

Outro lado
Governador interino Roberto Cidade afirma que o Governo do Estado já investiu mais de R$ 1,6 bilhão na segurança pública do Amazonas desde 2019 (Foto: Alex Pazuello/Secom)

O Governo do Estado afirma que fez investimentos pesados na segurança pública do Amazonas nos últimos anos, que superam a marca de R$ 1,6 bilhão desde 2019. Esse volume de recursos teriam sido aplicados em ações voltadas ao aumento do efetivo, à modernização das estruturas e ao fortalecimento da atuação policial.

“Sabemos dos desafios, mas seguimos avançando, com a segurança pública como prioridade e com um olhar diferenciado enquanto estivermos à frente da gestão”, afirmou o governador interino Roberto Cidade durante as comemorações pelos 189 anos da Polícia Militar do Amazonas (PM-AM) na semana passada.

Segundo o Governo do Estado, um dos principais destaques foi o reforço no efetivo da PM-AM, com mais de 2,7 mil convocados do concurso público realizado em 2022, ampliando a presença policial em todo o estado. “No total, as convocações nas forças de segurança já ultrapassam 3,4 mil servidores, incluindo Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, SSP-AM e Detran-AM”, disse o governo.

Outro avanço importante é a ampliação da frota e da estrutura operacional da PM-AM, com a entrega de mais de 1,5 mil viaturas. Os investimentos também contemplam a modernização das unidades da corporação.

“A política de valorização dos profissionais também tem sido prioridade, com a concessão de reajustes e progressões salariais ao longo dos últimos anos, reconhecendo o papel estratégico dos policiais militares na garantia da segurança da população”, destacou o Governo do Estado.

Pesquisa Nacional

No cenário nacional, a pesquisa “Força de Segurança na Percepção dos Brasileiros”, do Instituto Veritá, aponta uma média de 47,7% de aprovação das forças de segurança no Brasil, contra 52,3% de reprovação. Os números evidenciam que o problema da segurança pública é generalizado no país, porém, essa questão atinge de forma mais severa estados como o Amazonas.

Goiás, Amapá e Sergipe aparecem como os três estados mais bem avaliados do país no estudo. O ranking é liderado por Goiás, com 84,1% de aprovação, seguido pelo Amapá (75,7%) e Sergipe (75,1%).

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