Especialista nega que surto de hantavírus seja o início de epidemia ou pandemia: ‘Não é uma nova covid’

OMS alerta que o risco de transmissão de hantavírus é baixo (Foto: Agência Xinhua)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e especialistas na área médica tentam tranquilizar a população mundial sobre o surto de hantavírus, afirmando que os casos confirmados não representam o início de uma epidemia ou pandemia da doença a exemplo do que ocorreu com a covid-19 há seis anos.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, informou, nesta sexta-feira (08/05), à imprensa sobre um surto de casos de hantavírus associado ao navio de cruzeiro MV Hondius, pertencente a uma companhia holandesa que navegava pela Argentina. Segundo ele, oito casos foram relatados até o momento, incluindo três óbitos. Cinco dos oito casos foram confirmados como hantavírus.

O hantavírus em questão é o vírus Andes, a única espécie conhecida por ser capaz de transmissão limitada entre humanos, associada a contato próximo e prolongado. Tedros afirmou que apesar da gravidade, “a OMS avalia o risco para a saúde pública como baixo”. Ele observou que, dado o período de incubação, “é possível que mais casos sejam relatados”.

Conforme informou o diretor-geral, a OMS tomou diversas medidas desde que foi notificada da situação no último dia 2 de maio deste ano. A mais recente delas inclui o envio de um especialista a bordo do navio para apoiar uma avaliação médica completa de todos os passageiros e tripulantes, além de coletar informações cruciais para avaliar o risco de infecção.

A OMS providenciou ainda o envio de 2,5 mil kits de diagnóstico da Argentina para laboratórios em cinco países, a fim de fortalecer a capacidade de testagem. A Organização também desenvolve um guia operacional passo a passo para o desembarque seguro e respeitoso e o retorno dos passageiros e tripulantes ao porto de destino.

‘Não é uma nova covid’, diz especialista

O hantavírus que foi detectado entre passageiros e tripulantes do navio de cruzeiro MV Hondius é menos transmissível que a covid. A avaliação é da encarregada da unidade médica nos Países Baixos, Karin Ellen Veldkamp, e foi feita durante uma entrevista à Agence France-Presse (AFP).

Questionada sobre o temor de que o hantavírus possa se tornar “a nova covid”, a especialista foi clara: “Não, não é assim. Não se transmite facilmente de pessoa para pessoa”, disse. “Sabemos que a transmissão entre pessoas é possível e suspeitamos que aconteceu no navio (…), mas não é como a covid, a transmissão é muito mais fácil”, acrescentou Karin Veldkamp, que é chefe de doenças infecciosas do Centro Médio Universitário de Leiden.

Por sua vez, o diretor regional da OMS para a Europa, Hans Kluge, disse anteriormente, em uma mensagem tranquilizadora, que “não há motivo para pânico”. “O risco para a população em geral permanece baixo. Não há motivo para pânico ou para impor restrições de viagem”, observou ele. O diretor enfatizou ainda que as infecções por hantavírus são raras e “não são facilmente transmitidas entre pessoas”.

Infecção

Os hantavírus são transmitidos aos humanos por meio de roedores selvagens infectados, como ratos ou camundongos, que eliminam o vírus pela saliva, urina e fezes. Uma mordida, o contato com esses animais ou seus excrementos, assim como a inalação de poeira contaminada, podem causar a infecção.

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