Morre Lejeune Mirhan, sociólogo e analista internacional, aos 69 anos

Lejeune Mirhan era especialista em geopolítica internacional (Foto: Divulgação)

O sociólogo, professor, escritor e analista internacional, Lejeune Mirhan, faleceu, nesta quinta-feira (06/08), aos 69 anos, em Campinas (SP), vítima de uma parada cardíaca, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Madre Teodora, onde estava internado desde julho.

De acordo com o portal Vermelho, site do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), ao qual era filiado, Lejeune Mato Grosso Xavier de Carvalho – nome de batismo do sociólogo -; começou a militância na década de 1970, na resistência à ditadura militar e no movimento estudantil, na PUC Campinas. Pela instituição, graduou-se em Ciências Sociais em 1981 e concluiu o mestrado em Filosofia em 1984. Por 20 anos, foi professor na Universidade Metodista de Piracicaba.

A partir de 1982, dedicou-se à causa palestina, tendo escrito livros e centenas de artigos sobre o tema. No final dos anos 2000, adotou o nome Lejeune Mirhan, em homenagem a seus ancestrais e em aproximação definitiva com o mundo árabe.

“Foi-se um comunista guerreiro, verdadeiramente internacionalista, corajoso e muito inteligente”, afirmou Nádia Campeão, presidente em exercício do PCdoB. “Conheci o ‘Mato Grosso’ quando ambos estudávamos em Piracicaba – e ele nunca passou desapercebido nas lutas que travava e travou por toda a vida. Lejeune presente!”

Mirhan também presidiu o Sindicato dos Sociólogos de São Paulo (Sinsesp) e a Federação Nacional dos Sociológicos (FNS-B), além de ter sido vice-presidente da Confederação Nacional das Profissões Liberais (CNPL). Em 2007, foi um dos fundadores da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil). Entre suas principais contribuições ao PCdoB, estão seus anos de trabalho na Secretaria Nacional Sindical.

Família síria tradicional de Corumbá

Descendente de uma das famílias da comunidade síria que se estabeleceu em Corumbá no início do século XX, Mirhan também dedicou parte de sua produção acadêmica à história da imigração árabe na na região. Sua família teve forte presença na vida econômica, cultural e intelectual da cidade, deixando marcas no comércio, na literatura, na imprensa e nas artes.

Política nacional e internacional

De acordo com o portal DCM, após a aposentadoria da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), Lejeune Mirhan passou a concentrar sua atuação na análise da política brasileira e internacional. Tornou-se presença frequente em debates, palestras e veículos de comunicação, especialmente em temas relacionados ao Oriente Médio, geopolítica, relações internacionais e imperialismo.

Durante décadas integrou delegações humanitárias à Palestina e à Síria e participou de iniciativas de solidariedade internacional voltadas às causas dos povos do Oriente Médio. Defensor do internacionalismo, produziu análises sobre os conflitos na região, as guerras no Iraque e na Síria, as sanções ao Irã e as transformações da ordem mundial.

Leitor incansável e escritor prolífico, publicou mais de uma dezena de livros sobre geopolítica, marxismo, relações internacionais, história árabe e imperialismo. Entre suas obras mais conhecidas está Atualidade da luta anti-imperialista, além de estudos dedicados à imigração suriana em Corumbá. Também criou a editora Apparte, pela qual passou a publicar parte de sua produção intelectual.

De acordo com o site DCM, a morte de Lejeune Mirhan “encerra a trajetória de um dos intelectuais mais ativos da esquerda brasileira no campo da geopolítica e das relações internacionais”. “Professor, pesquisador, militante e autor de extensa obra, deixa um legado de estudos, debates e reflexão crítica que influenciou gerações de estudantes, pesquisadores e ativistas”.

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