Com a presença da Suframa, conferência de Zonas Francas Ibero-Americanas na Espanha termina com debates sobre inovação e economia azul

Conferência na Espanha debateu sobre economia azul (Foto: Layana Rios)

A 29ª Conferência de Zonas Francas Ibero-Americanas terminou, nesta quarta-feira (28/10), em Cádiz, na Espanha, com debates sobre internacionalização de empresas, inovação, pesquisa e sustentabilidade. A programação do último dia também marcou a abertura do Blue Zone Forum InnovAzul 2026, encontro que reúne especialistas, acadêmicos e representantes empresariais para discutir oportunidades relacionadas à economia azul e ao desenvolvimento do setor marítimo.

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) acompanhou as atividades, por meio de comitiva composta pela servidora da Coordenação-Geral de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais, Camilla Abitbol; pela procuradora-chefe da Procuradoria Federal junto à Autarquia, Regina Melo; e pelo coordenador jurídico da Procuradoria, Luiz Batista.

A programação começou com o painel “Zonas Francas como plataforma de internacionalização para jovens empresários e pequenas e médias empresas (PMEs)”, que reuniu representantes de entidades empresariais e de zonas francas, além do CEO da World Free Zones Organization, Matthew Stephenson.

Economia azul

Na sequência, ocorreu a abertura institucional do Blue Zone Forum InnovAzul 2026, organizado pelo Consórcio da Zona Franca de Cádiz, em colaboração com a Universidade de Cádiz e o Centro Internacional de Excelência em Ciências do Mar (CEI·MAR). Com programação prevista até sexta-feira (30/10), o fórum propõe discussões sobre inovação, tecnologia, emprego, pesquisa e empreendedorismo ligados ao setor marítimo.

A palestra inaugural foi conduzida pela cientista espanhola Sara García Alonso, bióloga molecular e pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas (CNIO). Em 2022, tornou-se a primeira mulher espanhola selecionada para a reserva de astronautas da Agência Espacial Europeia (ESA). Sua trajetória une pesquisa científica, inovação e divulgação da ciência.

A economia azul propõe o uso sustentável dos recursos aquáticos, conciliando desenvolvimento econômico e conservação ambiental. O conceito abrange áreas como biotecnologia, aquicultura, energias renováveis e transporte marítimo, com possibilidades de aplicação também no contexto amazônico.

Para a servidora Camilla Abitbol, os debates sobre economia azul também podem contribuir para ampliar as possibilidades de desenvolvimento sustentável na Amazônia. “Embora o conceito esteja muito associado aos oceanos e às atividades marítimas, seus princípios podem ser considerados na realidade amazônica, especialmente na gestão sustentável dos rios, já que temos o maior rio em volume de água do mundo. A valorização da biodiversidade aquática, o desenvolvimento de pesquisas, a bioeconomia e o fortalecimento de atividades produtivas que respeitem os ecossistemas fluviais são caminhos que podem ser explorados, considerando as características e as necessidades da nossa região”, destacou.

A programação do Congresso finalizou com uma discussão sobre a relação entre academia e zonas francas, com a participação de Juan D. Velasquez De Bedout, da Universidade de Purdue, nos Estados Unidos.

O pesquisador apresentou o Programa de Graduação em Semicondutores, iniciativa lançada em maio de 2022 para formar profissionais para a indústria de semicondutores, integrando diferentes áreas acadêmicas, formação prática e parcerias com empresas do setor.

Entre as estratégias do programa, destacou a adaptação do currículo para que os estudantes tenham contato com a indústria desde os primeiros anos da graduação. Segundo Juan, a proposta busca aproximar a formação universitária das necessidades do mercado, permitindo que os profissionais cheguem mais preparados ao setor de semicondutores.

O último bloco técnico abordou os avanços do projeto-piloto de certificação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para as zonas francas, com apresentação pela gerente do Programa de Zonas Francas da Diretoria de Comércio da organização, María Camila Moreno.

Resultados

Para a Procuradora-chefe, Regina Melo, a participação da Autarquia contribuiu para ampliar o conhecimento sobre experiências internacionais e seus aspectos institucionais. “O contato com outros modelos de zonas francas possibilitou conhecer diferentes práticas de gestão e regulação, além de identificar referências que podem contribuir para o aperfeiçoamento dos instrumentos utilizados no Brasil”, disse.

O coordenador jurídico, Luiz Batista, destacou a importância da Procuradoria da Suframa conhecer experiências internacionais na Conferência. “A AZFA conecta o nosso modelo amazônico às zonas francas europeias e ibero-americanas. Esse intercâmbio permitiu conhecer diferentes modelos de funcionamento e instrumentos jurídicos e regulatórios adotados em outros países, o que é relevante para trabalharmos eventuais aperfeiçoamentos das nossas práticas institucionais, contribuindo sempre para a segurança jurídica dos resultados da Zona Franca de Manaus”, declarou.

A 29ª Conferência de Zonas Francas Ibero-Americanas foi organizada pela Zona Franca de Cádiz e pela Associação de Zonas Francas das Américas (AZFA), entidade à qual a Suframa é filiada desde 2003. Iniciada na segunda-feira (26), a conferência reuniu representantes de zonas francas, instituições públicas, universidades, empresas e organismos internacionais para discutir temas relacionados ao comércio internacional, à logística, aos investimentos e ao desenvolvimento econômico.

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