Edital destrava 32 projetos indígenas e injetará até R$ 1,25 milhão no Amazonas

Com recursos do Fundo Amazônia, iniciativa “Soluções que Vêm do Território” vai financiar até cinco projetos indígenas focados em cadeias produtivas sustentáveis, governança e soberania alimentar

As iniciativas miram o fortalecimento de cadeias produtivas estratégicas e a geração de renda local (Foto: Lucas Bonny/FAS)

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) avançou no processo de seleção do edital nº 05/2026, intitulado “Soluções que Vêm do Território”, ao habilitar 32 propostas submetidas por organizações e coletivos indígenas do Amazonas na fase de análise documental. A iniciativa, voltada ao fomento do empreendedorismo comunitário e à estruturação da sociobioeconomia no interior do Estado, prevê o aporte de até R$ 250 mil por projeto, somando um investimento total de R$ 1,25 milhão com prazo de execução de até 12 meses.

O edital integra o programa Prospera na Floresta, gerido pela FAS com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), contando com o aporte financeiro do Fundo Amazônia, administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Com a conclusão da etapa de recursos técnicos, as 32 propostas aptas foram encaminhadas para a avaliação de mérito conduzida por uma Comissão de Especialistas, que definirá até cinco iniciativas contempladas. Do total de propostas habilitadas, 30 foram apresentadas por organizações formalizadas, como associações e cooperativas, e duas por coletivos comunitários. O ecossistema de projetos abrange uma ampla diversidade étnica, envolvendo os povos Marubo, Sateré-Mawé, Baré, Baniwa, Kanamari, Apurinã, Tikuna e Yanomami.

As iniciativas que avançaram no certame miram o fortalecimento de cadeias produtivas estratégicas e a geração de renda local, incluindo projetos para a comercialização de frutas naturais no Vale do Javari, estruturação da pimenta jiquitaia no Rio Negro, criação de casas de artesanato gerenciadas por redes de mulheres indígenas e ações voltadas ao manejo comunitário e à conservação territorial.

Segundo Rosa dos Anjos, indígena do povo Mura e coordenadora do Programa de Protagonismo Indígena da FAS, as soluções não chegam prontas aos territórios, mas nascem dos conhecimentos transmitidos entre gerações, cabendo ao edital fortalecer o protagonismo e a autonomia dessas populações na condução do bem viver em suas comunidades.

A habilitação documental confirma o cumprimento dos pré-requisitos técnicos, mas não garante a concessão imediata do capital nem a seleção final. A contratação e o início dos repasses financeiros para os vencedores estarão condicionados ao resultado da avaliação de mérito, à não objeção do BNDES e à conformidade com as exigências de governança. Para os projetos apresentados por coletivos não formalizados, a gestão financeira será operada diretamente pela FAS para assegurar o cumprimento das diretrizes contábeis.

O direcionamento de capital para a base da floresta atende à crescente demanda do mercado por ativos da bioeconomia e práticas alinhadas às métricas ESG. No total, o projeto Prospera na Floresta abrange mais de 20 milhões de hectares em 22 áreas protegidas do Amazonas, com a meta de impactar diretamente mais de 11,3 mil pessoas entre indígenas, ribeirinhos e quilombolas. A relação completa das propostas e os comunicados oficiais do processo seletivo estão disponíveis no portal institucional da entidade.

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