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Com divergência de valores, empresas suspendem recargas do Passe Livre; Governo afirma que repasses de 2026 estão em dia e alunos convocam protesto

MANAUS — O transporte público e a rotina de milhares de estudantes da rede pública estadual enfrentam um novo impasse em Manaus. A suspensão do recarregamento de créditos do Passe Livre Estudantil gerou um cabo de guerra entre o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) e o Governo do Estado, com divergências nos valores e ameaças de paralisação nas escolas.
De um lado, o Sinetram convocou coletiva de imprensa na terça-feira (03/11) para alertar que o sistema de transporte está à beira do colapso. Segundo o presidente da entidade, César Tadeu Teixeira, sem os repasses do Estado não há como honrar a folha de pagamento dos funcionários nem a primeira parcela do 13º salário. O sindicato alega que a dívida acumulada referente ao Passe Livre (contando o histórico de 2025 e o exercício de 2026) saltou de R$ 36,9 milhões para R$ 279,4 milhões. A mudança ocorreu após a Justiça atender a um pedido do IMMU/Prefeitura de Manaus e estipular que o pagamento do benefício deve considerar o valor da tarifa técnica (R$ 9,30), e não os R$ 2,50 calculados inicialmente com base na meia-passagem.
Do outro lado, a gestão estadual rebateu a medida e classificou a suspensão da gratuidade como irresponsável e politiqueira. O governador Roberto Cidade explicou que os repasses referentes a 2026 estão rigorosamente atualizados e em dia, totalizando R$ 27 milhões repassados ao longo do ano.
“No dia 23 de outubro, nós pagamos mais uma parcela ao Sinetram no valor de R$ 3 milhões. Desde que assumi o Governo, a gente vem mantendo o pagamento rigorosamente em dia. Só este ano de 2026, já foram pagos R$ 27 milhões. E agora o Sinetram, mais uma vez com irresponsabilidade, quer trazer um tema do ano de 2025, um débito que está sendo questionado na Justiça, e fazer com que os nossos alunos não possam utilizar o que é de direito. […] A campanha já acabou e essas pessoas estão utilizando esse mecanismo para causar mais transtornos à nossa população e, em especial, aos alunos.
O Executivo estadual ressaltou ainda que continuará a questionar judicialmente as cobranças e o bloqueio das recargas. Para a gestão do Estado, a cobrança envolve um débito litigioso do ano anterior que ainda tramita nos tribunais, e os estudantes não podem ser usados como reféns de disputas financeiras.
Enquanto Prefeitura (órgão concedente), Governo do Estado e Sinetram trocam acusações e buscam definições, quem sofre o impacto direto são os cerca de 44 mil estudantes que dependem do benefício mensalmente para frequentar as salas de aula.