Desequilíbrio na Amazonprev atinge mais de R$ 2,17 bilhões e herança de Wilson Lima ameaça aposentadorias

Projeção para 2027 revela rombo astronômico entre arrecadação e despesas com aposentados; rombo coincide com aplicações de risco no Banco Master investigadas pela PF e questionadas pelo Tribunal de Contas

Herança deixada por Wilson Lima impõe ao Estado um impasse estrutural (Foto: Reprodução)

Uma bomba-relógio financeira ameaça a sustentabilidade do regime previdenciário dos servidores públicos do Amazonas. Dados oficiais indicam que o Fundo Financeiro da Amazonprev caminha para um colapso até 2027, atingindo uma insuficiência projetada de R$ 2,17 bilhões.

O desequilíbrio atinge o ápice no rastro de uma série de decisões administrativas adotadas durante o governo de Wilson Lima (União Brasil), período em que o fundo público passou a ser alvo de operações da Polícia Federal e de duras cobranças dos órgãos de controle.

A apuração dos números revela um abismo crescente entre receitas e obrigações operacionais. Para o exercício de 2027, a estimativa de arrecadação da fundação é de R$ 786,6 milhões, valor insuficiente para cobrir a folha de pagamento de aposentadorias e pensões, estimada em R$ 2,96 bilhões. A diferença superior a R$ 2,1 bilhões acende o alerta máximo sobre a condução da política de investimentos e o controle de riscos da instituição nos últimos anos.

O centro do escândalo repousa na relação direta entre a gestão de Wilson Lima e o favorecimento a instituições financeiras de alto risco, em especial o Banco Master — controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, que hoje está preso em Brasília.

Durante a administração do ex-governador, a Amazonprev realizou um aporte de R$ 50 milhões em papéis do Banco Master, inserido em um pacote de mais de R$ 250 milhões em aplicações financeiras sob forte suspeita que viraram alvo de inquérito da Polícia Federal e do Ministério Público de Contas. As investigações apontam que recursos estratégicos da previdência estadual foram retirados de fundos consolidados para financiar operações de liquidez duvidosa em um banco privado de perfil altamente arriscado.

Vulnerabilidades graves na Amazonprev

Relatórios elaborados pelo Grupo de Trabalho do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) e manifestações do Ministério Público de Contas (MPC) apontam vulnerabilidades graves na governança da Amazonprev.

Segundo os documentos de apuração, as decisões de investimento no Banco Master teriam sido viabilizadas por ingerência política e respaldadas por pareceres com forte viés partidário — contando com a atuação decisiva de contadores e operadores ligados ao próprio partido de Wilson Lima —, sobrepondo interesses políticos aos critérios estritamente técnicos exigidos para a proteção do patrimônio dos aposentados.

Com o avanço dos inquéritos federais e o estrangulamento das contas projetado para os próximos anos, a crise na Amazonprev ultrapassa o debate fiscal e assume contornos de escândalo de gestão.

A herança deixada pela administração de Wilson Lima impõe ao Estado um impasse estrutural, colocando em risco a folha dos inativos e exigindo aporte extraordinário do Tesouro estadual para cobrir o rombo bilionário. A reportagem não obteve sucesso em falar com Wilson Lima.

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