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Os prejuízos são incalculáveis para os empreendimentos que, antes, eram o “point” da sociedade manauara nos fins de semana e feriados, e que agora estão encalhados no meio de planícies lamacentas

Os donos de flutuantes instalados no bairro Tarumã, zona Oeste de Manaus, estão envolvidos em um novo problema: o impacto econômico com a seca. Os prejuízos se acumulam para os empreendimentos que, antes, eram o “point” da sociedade manauara nos fins de semana e feriados, e que agora estão encalhados no meio de planícies lamacentas. Atualmente, são mais de 900 instalados na região.
Na última terça-feira (10/10), a cota do Rio Negro chegou a 14,29 metros faltando 1,21 metros para atingir o registro histórico da maior seca do Estado, que alcançou 13,63 metros em 2010. À medida que o rio secou, também evaporaram os negócios para os proprietários dos flutuantes – que devem ser retirados até o fim deste ano após decisão judicial.
“O prejuízo é enorme para quem investiu anos de economia no sonho do empreendedorismo. Assim como eu, há outras centenas de proprietários de flutuantes que estão abandonados nesse momento. Além de convivermos com o impacto profundo dessa seca severa, não temos a esperança de continuar trabalhando e dando oportunidade e renda para milhares de famílias do tarumã que sobrevivem desse setor. A gente pede socorro!”, destacou a empresária Elizângela Feitosa, dona do Flutuante Amazon Vip, inaugurado em agosto de 2021. O empreendimento concilia o turismo, lazer e respeito ao meio ambiente.

Sem esperança
A mesma situação é vivida pela chefe de cozinha Luiziane Viana, 40 anos. Ela e o marido decidiram investir todas as economias que guardaram ao longo das últimas décadas e compraram três flutuantes instalados na região. Agora, sofrem com os impactos da vazante e também com a falta de esperança de continuar trabalhando no local.
“Quando entramos no negócio já sabíamos que teríamos que contornar as questões ambientais, como a cheia e a seca, mas não imaginávamos que ela seria tão severa como neste ano. Não estávamos preparados, não tínhamos reserva e agora estamos abandonados. Sobre a retirada dos flutuantes a gente acata a decisão judicial, mas pedimos a oportunidade de regularizar os empreendimentos que, de fato, tomam todas as medidas para preservação do Tarumã, dando oportunidade para toda uma comunidade que depende dos recursos financeiros oriundos dessa atividade econômica. Nesse momento nós estamos sendo marginalizados, prestes a sermos retiradas daqui e sem nenhum apoio para contornar os efeitos da estiagem”, destacou Luiziane.

Tanto Elizângela quanto Luiziane, atualmente, têm prejuízos mensais aproximados de R$ 20 mil com a parada da atividade por conta da estiagem. O cenário preocupa, mas o jeito é adaptar a rotina.
Comunitários
Mesmo com tantas dúvidas e aflições, os proprietários dos flutuantes pretendem entregar cestas básicas e água potável para os comunitários que estão isolados e sem ter como trabalhar nesse período. “São milhares de pessoas que dependem da atividade dos flutuantes. Elas passam necessidade, sem ter sequer água para beber ou tomar banho. Nós, empresários, donos dos flutuantes, precisamos dessas pessoas e, por este motivo, não vamos abandoná-las. Faremos tudo o que for possível até o fim”, disse Luiziane.
Prefeitura
O Portal Panorama Real pediu um posicionamento da Prefeitura de Manaus sobre um possível apoio aos empresários do setor, além de informações sobre a operação de retiradas dos flutuantes instalados no Tarumã sem regularização.
Por meio de nota, a Procuradoria Geral do Município (PGM) informou que a Prefeitura de Manaus já se manifestou nos autos e aguarda decisão judicial sobre a retirada dos flutuantes. “Quanto ao auxílio, a Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc) está realizando o levantamento socioeconômico das famílias que residem nos flutuantes para concessão do benefício Auxílio Aluguel para aquelas que tiverem perfil de vulnerabilidade social“, diz o restante da nota.
A retirada dos flutuantes deve custar R$ 16 milhões aos cofres da Prefeitura de Manaus. Os empreendimentos, na sua maioria, não possuem licenciamento ambiental adequado, há ocupações irregulares e o descarte incorreto de resíduos sólidos e líquidos.
A decisão de cumprimento da sentença passou pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (Segunda Instância), no Superior Tribunal de Justiça, e transitou em julgado, ou seja, sem possibilidade de apresentação de recursos.