Médico alerta que a situação do ar é grave em Manaus. Família inteira apresenta sintomas de doenças

Segundo o cardiologista Jefferson Jezini, clima da região se compara com o dos desertos

Jefferson Jezini é um dos maiores cardiologistas do Estado do Amazonas (Foto: Divulgação)

A forte fumaça causada pelas queimadas ilegais, que colocou Manaus no segundo lugar do ranking entre as cidades com o pior ar para se respirar no mundo, é grave e pode trazer sérios riscos à saúde caso as pessoas não tomem alguns cuidados. O alerta é de um dos maiores médicos do Amazonas, o cardiologista Jefferson Jezini, 70 anos, ex-presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM) e ex-vice-presidente da Associação Médica Brasileira (AMB).

Na avaliação do especialista, a situação climática atual é grave e preocupante. “Antes, tínhamos um período de estiagem de seca que diminuía a umidade relativa do ar para aproximadamente 80%. Hoje, este índice está em 25%, porcentual que se compara aos dos climas desérticos, que é caracterizado pela falta de chuva e a baixa umidade. Além disso, não temos ventilação suficiente e, portanto, não há renovação do ar. A fumaça das queimadas agrava mais o clima, fazendo com que as partículas em suspensão na atmosfera estejam acima do aceitável em mais de 100 vezes”, declarou Jezini.

Grupo de risco

Segundo o cardiologista amazonense, o grupo de maior risco de ser afetado pela poluição do ar é formado por crianças, idosos e pessoas portadoras de comorbidades, como diabetes, hipertensão e patologias respiratória brônquicas. Ele orienta para os cuidados que a população deve tomar para não ser afetada pelos efeitos da fumaça das queimadas.

“As pessoas devem se preocupar com a hidratação, vestir roupas frescas e leves, evitar fazer atividades físicas e esportivas ao ar livre, melhorar a ventilação de casa ao não usar o ar-condicionado em temperaturas baixas, pois o ideal é deixar o ambiente ameno, pois, neste clima, o ar-condicionado não vai gelar, ao contrário, ele pode agravar a desidratação”, alertou Jezini.

Sintomas

Embaixadora da Maratona de Manaus, Paula Sicoli é apaixonada por corrida de rua (Foto: Divulgação)

A estudante de Nutrição, Paula Sicoli, 35 anos, afirmou que está tomando todos os cuidados para proteger a saúde dela, do esposo e dos dois filhos do casal, que estão sofrendo com os efeitos da fumaça em Manaus. Segundo ela, todos na família apresentaram algum tipo de sintoma por conta do ar poluído, como ardor nos olhos, náuseas e dor de cabeça.

Paula Sicoli é apaixonada por corridas ao ar livre. Ela participa de maratonas há mais de 15 anos. Porém, ela destacou que tem evitado correr nas ruas por causa da fumaça. “Sou viciada em corrida. Inclusive, hoje (12/10), tinha treino, mas não fui. Fiquei em casa com meus filhos. As janelas ficaram fechadas. Se sair, usaremos máscaras”, salientou.

Maratona de Manaus

Embaixadora da Maratona Internacional de Manaus 2023, Paula Sicoli disse ainda que apoia a decisão do prefeito David Almeida que anunciou, ontem (11/10), o adiamento do evento, que seria realizado no próximo domingo (15/10), por conta da fumaça e da péssima qualidade do ar. “Sou a favor do adiamento. Sei que é triste, mas a corrida visa celebrar a saúde. Se há lago que coloca a saúde em risco, então não faz sentido fazer a maratona neste momento. O foco agora é acabar com a fumaça das queimadas”, completou Paula Sicoli.

Medidas

O Governo do Amazonas decretou “tolerância zero” contra os autores das queimadas ilegais responsáveis pela forte fumaça que têm sufocado a população amazonense, principalmente a de Manaus e das cidades da Região Metropolitana da capital. 

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