Marina Silva reafirma que BR-319 não será recuperada e Plínio Valério a chama de ‘inimiga do Amazonas’

Ministra do Meio Ambiente destacou que as obras de reconstrução da rodovia federal teriam potencial para desencadear consequências "apocalípticas" na Amazônia. Declarações geraram respostas dos políticos amazonenses

O senador Plínio Valério tem feito críticas sobre a política ambiental frente às necessidades da população do Amazonas (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)
Por Anwar Assi e Bruna Souza

Pressionada por políticos e empresários do Amazonas, a ministra Marina Silva “bateu o pé” e mostrou que deve manter sua postura intransigente em relação à recuperação da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, capital de Rondônia. Mesmo com toda a pressão que tem sofrido, ela permanece irredutível e chegou a elogiar, na semana passada, o Governo Federal por ter excluído a BR-319 do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Na ocasião, Marina Silva afirmou que as obras de reconstrução da BR-319 teriam potencial para desencadear consequências “apocalípticas” na Amazônia, levando a um cenário de devastação sem precedentes. Segundo ela, os elevados níveis de poluição na Amazônia, o afrouxamento das políticas ambientais nos últimos quatro anos, a grilagem de terras e a desestruturação das equipes de fiscalização são fatores que pesaram na decisão do Governo Federal em não permitir a revitalização da BR-319 agora.

Reação

Marina Silva tem sido pressionada a tomar medidas para recuperar a BR-319 (Elza Fiuza/Agência Brasil)

 As declarações de Marina Silva não foram bem recebidas pelos políticos do Amazonas. Ontem, na tribuna do Senado Federal, o senador Plínio Valério (PSDB), fez duras críticas à ministra do Meio Ambiente. Ele a chamou de “inimiga do Amazonas” ao citar a falta de ação efetiva para recuperação das principais rodovias do Estado, que, para ele, estaria baseada em “um discurso internacional sobre preservação ambiental”.

“A ministra Marina Silva é uma inimiga do Amazonas. Ela nos toma o direito de ir e vir, o direito de cidadania, de poder sair de um Estado e se deslocar a outro impedindo o avanço de uma rodovia que já existiu e que não vai afetar a floresta nem impactar as mudanças climáticas. Marina representa as ONGs e o capital estrangeiro. Não está preocupada com a população amazonense. Se isso não for um ataque à soberania, nada mais é neste País”, disse ele.

Durante o discurso, Plínio Valério relembrou os esforços das entidades representativas do Amazonas em pedir apoio dos ministérios para o asfaltamento e manutenção das rodovias BR-319, BR-174 e BR-163.

“A reconstrução das rodovias, principalmente a BR-319, é um anseio de toda a população. Não podemos ter acesso a outras cidades por essa mania internacional de dizer que terá impactos ao Meio Ambiente e influenciar nas mudanças climáticas”.

Pressão

Marina Silva tem sido alvo de pressão por parte de políticos e empresários do Amazonas, que defendem a recuperação da BR-319 como uma oportunidade para impulsionar o desenvolvimento econômico local.

No início de outubro, quando esteve no Amazonas com uma comitiva do Governo Federal liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, a ministra do Meio Ambiente foi duramente atacada ao ponto de o deputado Sinésio Campos (PT), que é do mesmo partido do presidente Lula, ter apontado o dedo para a ex-colega de sigla partidária. “Eu disse para a Marina que ela é daqui e precisa resolver esse impasse da BR-319”, disse na época Sinésio Campos.

 

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