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De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o fenômeno, que já está em curso, deverá durar pelo menos até o mês de abril de 2024

O fenômeno El Niño, que já está em curso, deverá durar pelo menos até o mês de abril de 2024. O alerta foi feito, nesta quarta-feira (08/11), pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), que é uma agência da ONU.
“Os impactos do El Niño na temperatura global ocorrem normalmente no ano seguinte ao seu desenvolvimento, neste caso em 2024. Mas como resultado das temperaturas recordes da terra e da superfície do mar desde junho, o ano de 2023 está agora no caminho certo para ser o ano mais quente registrado. O próximo ano pode ser ainda mais quente. Isto deve-se clara e inequivocamente à contribuição das crescentes concentrações de gases com efeito de estufa que retêm o calor provenientes das atividades humanas”, explicou o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.
Impacto ambiental
O El Niño deverá influenciar diretamente os padrões climáticos e contribuir para um novo aumento das temperaturas em todo o mundo e no Brasil, inclusive no Amazonas. Além do forte calor, especialistas afirmam que o Estado poderá ter problemas ambientais, no próximo ano, com o prolongamento do fenômeno.
Segundo o meteorologista e professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Eduardo Artaxo Netto, o El Niño deve prolongar os problemas ambientais que assombram o interior do Estado e a capital amazonense.
“Além de ser um El Niño intenso, ele vai ser longo, com impactos enormes com a redução das chuvas na floresta amazônica. Portanto, a estação de seca vai se prolongar até mais do que gostaríamos, e isso terá mais incidências de queimadas, causadoras de nuvens de fumaça, e a continuidade do problema na navegabilidade nos rios da Amazônia”, disse o especialista.
Ainda segundo o meteorologista, as políticas públicas do país precisam investir ainda mais em estudos e projetos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
“O Brasil precisa se preparar para enfrentar os eventos climáticos extremos, que vão se tornar mais fortes e intensos, tanto na Amazônia, quanto nas demais regiões do país”, pontuou.
Previsões
O fenômeno El Niño desenvolveu-se rapidamente durante o período de julho a agosto, atingiu força moderada em setembro e provavelmente atingirá o pico como um evento forte entre novembro de 2023 e janeiro de 2024, segundo a OMM. Há uma probabilidade de 90% de que ele persista durante o próximo inverno do Hemisfério Norte e verão do Hemisfério Sul.
Com base nos padrões históricos e nas previsões atuais de longo prazo, a previsão é que ele diminua gradualmente durante a próxima primavera boreal, segundo especialistas de todo o mundo.
O El Niño ocorre, em média, a cada dois a sete anos e normalmente dura de nove a 12 meses. É um padrão climático natural associado ao aquecimento da superfície do Oceano Pacífico, potencializado por atividades humanas.
Problemas na saúde
O aumento de tragédias relacionadas ao clima e ao calor extremo, provocados pelas mudanças climáticas, representam uma ameaça para a saúde. A conclusão é da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Os riscos mais comuns à saúde sensíveis ao clima foram identificados em pessoas com doenças respiratórias.
É o caso da professora de Português Saaramar Lahan, que atualmente enfrenta várias crises de rinite, devido a fumaça causada pelas queimadas no Amazonas.
“Quem tem rinite alérgica sabe que o tempo frio e seco piora o quadro e facilita as crises, mas atualmente a fumaça de Manaus tem agravado minha situação. Já perdi as contas de quantas vezes precisei ir ao hospital”, relatou a educadora.
O ano de 2023 deve ser considerado o mais quente da história, de acordo com dados da OMM. Portanto, os cuidados na saúde devem redobrar durante este período.