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De acordo com dados do IBGE, Estado fica atrás somente do Maranhão e Pará

Amazonenses estão recorrendo à informalidade para garantir a renda no final do mês. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até o terceiro trimestre deste ano, o Amazonas é o terceiro Estado com maior taxa de pessoas na informalidade do país, com 55% dos trabalhadores atuando no mercado informal, ficando atrás somente do Maranhão (57,3%) e Pará (57,1%).
Um exemplo é a manicure Kelly Magalhães, 36 anos, que há mais de dez anos passou a fazer parte do mercado de trabalho informal.
Segundo ela, a informalidade na profissão causa uma preocupação a longo prazo, apesar de ganhar, hoje, o dobro do que ganharia se estivesse trabalhando em um emprego fixo.
“Está difícil arrumar um bom emprego de carteira assinada, mas, às vezes, ganhamos o dobro trabalhando por conta própria. Com essa atividade de manicure, consigo pagar minhas contas, porém me preocupo com o futuro, principalmente em relação à minha aposentadoria”, destacou a trabalhadora.
Autonomia
O corretor de imóveis Diego Souza, 35 anos, também, atua no mercado informal. Ele saiu do mercado de trabalho formal há mais de quatros anos.
Mesmo assim, ele destacou algumas vantagens nas atividades informais, como, por exemplo, ter autonomia, liberdade para criar, produzir e flexibilidade de horários.
“Por meio do trabalho autônomo, a gente consegue conciliar o nosso horário, estudar, ter mais tempo com a família e um tempo mais livre. Lógico que ganhamos o que produzimos, mas somos responsáveis por nós mesmos. A diferença de um trabalho CLT, na qual precisamos cumprir uma série de obrigações, e que, às vezes, os ganhos não compensam com a jornada de trabalho. O trabalhador fica refém de uma renda fixa por não conseguir fazer outras atividades”, frisou o trabalhador.

Direitos
Para o economista Altamir Cordeiro, tais benefícios previdenciários e de assistência social, como o INSS, por exemplo, são alguns dos direitos trabalhistas que o profissional sem carteira assinada perde. Segundo ele, o cenário informal é de tendência e impacta negativamente no crescimento econômico brasileiro.
“Uma das razões da informalidade no Amazonas é a quantidade de empresas informais, que geram empregos sem carteira assinada, numa espécie de acordo tácito entre as partes. Infelizmente, esse tipo de relação de trabalho não traz benefícios para o trabalhador, nem para a economia do país. Com isso, a principal consequência é a precarização do emprego, situação em que há baixa remuneração e direitos trabalhistas inexistentes”, enfatizou o especialista.
Empresas
Segundo o empresário e presidente da Federação do Comércio do Estado do Amazonas (Fecomércio-AM), Aderson Frota, os principais empecilhos para o preenchimento de vagas de empregos com carteira assinada são os custos elevados que micros, pequenas e médias empresas precisam arcar com o trabalhador.
“Os motivos mais robustos da informalidade no Brasil são os custos trabalhistas que as empresas possuem, que representam mais de 120% do que é pago ao trabalhador, como por exemplo INSS, FGTS, férias, 13º salário, vale transporte, vale alimentação, entre outros benefícios”, disse o empresário.
Uma das soluções, apontada pelo presidente da Fecomércio, para a redução dos trabalhos informais no Amazonas é a criação de medidas governamentais de apoio às empresas, sobretudo às menores.
Classificação
Segundo o IBGE, a taxa de informalidade da população é formada por uma categoria de empregos, que são: empregado no setor privado sem carteira de trabalho assinada, empregado doméstico sem carteira de trabalho assinada, empregador sem registro no CNPJ, trabalhador familiar auxiliar e trabalhador por conta própria sem registro no CNPJ.
Essa última categoria engloba diferentes tipos de profissionais, como empregados de uma empresa que não possuem carteira assinada ou uma pessoa que trabalha por conta própria sem CNPJ.