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Evento foi organizado pelo corpo acadêmico da instituição de ensino em parceria com entidades palestinas do Amazonas e do Brasil

O direito humanitário internacional diante dos crimes cometidos contra os palestinos ao longo dos últimos 75 anos com a implantação de Israel nas terras da Palestina foi o tema de debate de um seminário realizado, na tarde de sexta-feira (01/12), no auditório da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
O evento foi organizado pelo corpo acadêmico da instituição de ensino – docentes e discentes -, junto com a Sociedade Árabe Palestina do Amazonas e da Juventude Árabe Palestina do Amazonas, e contou com o apoio de movimentos populares, como agremiações de estudantes e o jornal A Nova Democracia (AND).
O “Seminário Vozes Palestinas e o Direito Humanitário Internacional” teve como principal palestrante o presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), Ualid Rabah. Além dele, a diretora de Políticas Educacionais da União Nacional dos Estudantes (UNE), Maynara Nafe, também, foi uma das debatedoras no evento realizado na UEA.
Segundo a liderança palestina, já são 23 mil mortos e desaparecidos palestinos sob os escombros desde que começaram os bombardeios contra a Faixa de Gaza desde o dia 7 de outubro. Esse número dá uma média de 500 mortos palestinos por dia, principalmente mulheres e crianças.
“Se aplicarmos esses números na população europeia de hoje e levarmos em consideração os seis anos da Segunda Guerra Mundial, teríamos o equivalente a 350 milhões de mortos na Europa com essa escala diária de matança. Portanto, a matança que Israel promove já é o maior genocídio da história humana”
Ualid Rabah, presidente da Fepal.
Luta contra o silenciamento
Por sua vez, o presidente da Sociedade Árabe Palestina do Amazonas, Mamoun Imwas, destacou que o povo palestino vendo sofrendo com duas guerras, sendo uma feita por Israel e a outra pela mídia hegemônica mundial.
Segundo ele, atividades, como as manifestações de ruas e os seminários acadêmicos, que têm ocorrido em vários países de todos os continentes do mundo, são uma forma de combater a desinformação sobre a Palestina.
“Queremos combater as mentiras e fake News que espalham contra Palestina. Precisamos esclarecer o que ocorre na Palestina para todo mundo entender a realidade. Nossa causa é justa, mas precisamos transmitir o que vem ocorrendo desde 1948 em nossas terras, pois estamos sofrendo, também, uma tentativa de silenciamento por parte da grande mídia”
Mamoun Imwas, presidente da Sociedade Árabe Palestina do Amazonas
, salientou o dirigente palestino.
Identidade

Durante o seminário, a estudante de Direito, Jade Yacub, 21 anos, que é neta de palestinos, fez uma apresentação intitulada “Identidade” para falar sobre a origem e a cultura do povo palestino. A explanação emocionou alguns presentes no evento ao mostrar a importância de se ter uma identidade nacional para um povo, algo que vem sendo negado para muito palestinos ao redor do mundo.
“Como brasileiros, temos a liberdade de ir e vir, para os palestinos, esse direito básico é negado por conta da ocupação israelense”, falou a jovem ao destacar histórias de palestinos que se destacaram na vida em diversas áreas, apesar das dificuldades impostas a eles. “Tentam nos silenciar e apagar nossa identidade. Porém, somos mais fortes porque resistimos”, declarou sob aplauso do público.
‘Causa crucial’

Por sua vez, o professor de Direito, Bianor Saraiva Nogueira Junior, afirmou que a UEA, como instituição pública que tem responsabilidade social, possui a obrigação de promover debates que envolvem minorias e direitos humanos.
“Esse debate sobre a Palestina é mais do que justo não só para esclarecer a comunidade acadêmica, mas a sociedade em geral, uma vez que a questão palestina é crucial”, disse o professor ao lembrar que a Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece a Palestina.
“Os palestinos não são refugiados porque querem, mas por necessidade em função da ocupação israelense. A questão da Palestina é de todos nós, é da Humanidade”
Gabriel Mutz, 22 anos, estudante de Direito e membro da AND
Voz pela paz

A estudante de Direito, Ana Carolina Nunes Monteiro, 18 anos, que tem origem judaica, afirmou que apoia a iniciativa da UEA em realizar um seminário para abordar sobre a Palestina. Ela destacou que conhecia pouco sobre o assunto e que passou a ver com outros olhos essa questão.
“Acredito que toda história tem dois lados e nem sempre todos os lados conseguem apresentar seus fatos. Portanto, minha proposta de participar do seminário foi para conhecer melhor o lado da Palestina. Conheci a história e admito que meu povo errou. Pedir perdão sobre isso é uma questão não só de respeito ao povo palestino, mas também ao meu povo, de saber que não é certo que nenhum dos lados esteja com a ‘faca na mão’ e de que a melhor forma de se resolver o conflito é a paz”, declarou Ana.
Conhecer a verdade

Por sua vez, a mestranda em Direito Ambiental da UEA, Berenice Miranda Batista, 27 anos, afirmou que o seminário foi uma forma de conhecer a verdade sobre o sofrimento da população nativa da Palestina, que se alastra desde 1948.
“Há mais de sete décadas o povo palestino vem sendo massacrado. É importante a gente se informar e saber a verdade sobre o assunto”, salientou.