Nações correm contra o tempo para fechar acordo antes do fim da COP28

Conferência do clima acontece em Dubai até o próximo dia 12; observadores apontam que conclusão ainda parece distante

Brasil de Fato – A segunda e última semana da COP28 em Dubai começou nesta sexta-feira (8) com o desafio histórico de chegar a um acordo final entre as nações ainda no período de realização do encontro. A conferência global do clima acontece até o próximo dia 12 de dezembro e a pressão para um consenso vem de todos os lados.

Até as afirmações mais recentes do polêmico presidente da COP28, Sultão Ahmed Al Jaber, sinalizam pressão para a finalização das negociações no prazo do evento. Ele atua como enviado especial dos Emirados Árabes Unidos para Mudanças Climáticas e ministro da Indústria e Tecnologia Avançada. Al Jaber também é CEO da Abu Dhabi National Oil Company, empresa estatal de petróleo da região.

Antes da COP, ele chegou a declarar que não havia evidências científicas de que a eliminação progressiva de combustíveis fósseis não teria impacto no controle do aquecimento global. Dias depois, teve que se retratar e afirmou que eliminação do uso desses recursos é inevitável.

Fechar acordos durante a conferência é um feito raro. Normalmente, as definições finais acabam ficando para depois, frente aos entraves e à diversidade de opiniões entre diferentes países. No entanto, encerrar o encontro em grande estilo parece ser uma das metas dos Emirados Árabes.

Em Dubai, é perceptível o esforço para que a Conferência seja um marco. A cidade – já conhecida pela opulência, pelo apego à perfeição e à riqueza – se vestiu de sustentabilidade desde o fim de novembro. Nesta sexta-feira, Al Jaber, afirmou para uma plateia de autoridades: “Vamos, por favor, concluir este trabalho”.

No entanto, observadores e observadoras das discussões em torno de um acordo final mostram que os debates não parecem caminhar para uma solução em curto prazo. A palavra consenso aparece muito pouco. Nos bastidores, é comum ouvir que os textos mudam muito e em velocidade recorde. Alguns, inclusive, ainda nem foram iniciados.

O debate vai desde quais terminologias e palavras podem ou não ser usadas, até quanto, como e de onde virão os investimentos trilionários necessários para a transição energética, principalmente para as nações em desenvolvimento. A plataforma internacional Carbon Brief monitora as discussões em tempo real. Na noite desta sexta-feira, quatro dias antes do fim do evento, apenas 5% dos textos tinham algum acordo. Todo o restante está em rascunho ou nem mesmo existe.

E o Brasil?

Em agenda diária no evento, a ministra do Meio Ambiente e Mudança Climática, Marina Silva (Rede), cumpre compromissos com outras nações, movimentos populares e lideranças globais. Ainda não está claro que tipo de pressão o país vai optar por exercer para os acordos finais.

Mas, nesta sexta-feira, a ministra disse que os próximos dias representarão uma longa jornada e serão determinantes.

“Vamos ter que persistir em temas que são bastante complexos, mas que precisam de respostas. O alinhamento em 1,5 (grau de aquecimento global máximo), os meios para implementar essa decisão, os recursos para perdas e danos, adaptação e mitigação”, pontuou Marina Silva.

A ministra reforçou que não é possível enfrentar o problema negando a influência do uso do petróleo no aquecimento global. “Sobretudo, que se possa sair daqui com reconhecimento claro de que o principal problema da mudança do clima tem a ver com a emissão de CO2 por uso de combustível fóssil. Se sairmos daqui com essa clareza e com o compromisso de fazer esse debate com senso de responsabilidade, tanto por parte de países produtores de petróleo quanto de países consumidores, podemos dizer que podemos ter esperança. Nosso compromisso é para que o debate seja feito reconhecendo o problema. A ciência está dizendo isso há muito tempo. Não podemos continuar com uma visão negacionista.”

As esperanças de um feito inédito na conferência, continua norteando as ambições dos Emirados Árabes. Nesta sexta-feira, horas antes das declarações dadas pela ministra, o Sultão Ahmed Al Jaber, afirmou: “Dada a abordagem que adotámos, permitam-me dizer que, a vontade política, o apoio da liderança do país anfitrião, a nossa capacidade de convocar o que todos estamos vivendo aqui em Dubai na COP28 e a nossa capacidade de receber resposta positiva esmagadora dos ministros ao meu lado – ajudando-nos a impulsionar a ambição máxima – estou bastante confiante de que algo especial sairá desta COP”.

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