Eduardo Pazuello é chamado de ‘assassino’ em restaurante por mortes durante a pandemia

Outros clientes chegaram a pedir desconto do estabelecimento comercial alegando que a presença do ex-ministro representava “insalubridade”

Eduardo Pazuello foi ministro da Saúde durante período crítico da pandemia da covid-19, com atuação que lhe causa hostilidades até os dias de hoje (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Dois anos e nove meses após sair do comando do Ministério da Saúde, o general Eduardo Pazuello, que hoje é deputado federal pelo PL do Rio, continua sendo hostilizado por sua gestão no órgão durante a fase crítica da pandemia de covid-19. O último caso aconteceu, na sexta-feira (15/12), em um restaurante carioca, quando uma mulher reconheceu o ex-ministro e começou a gritar chamando-o de “assassino”.

Pazuello, que nasceu no Rio de Janeiro, mas foi criado no Amazonas, foi demitido do Ministério da Saúde em março de 2021. A administração dele foi marcada por apoio ao uso da cloroquina, crise de abastecimento de medicamentos, falta de oxigênio no Amazonas e recorde de mortes causadas pela covid-19 no Brasil

De acordo com pessoas que presenciaram a cena, outros clientes chegaram a pedir desconto do estabelecimento comercial argumentando que a presença dele representava “insalubridade”.

Hostilizado em avião

Em dezembro do ano passado, o ex-ministro já havia “suado frio” durante um voo de Manaus para Brasília. Quando o comissário fez o aviso que máscaras eram obrigatórias, um homem gritou: “O (Eduardo) Pazuello não acredita em máscara”. Pazuello tentou manter a compostura, mas acabou batendo boca com os passageiros, conforme revelou, na época, a revista Veja.

CPI da Covid

O ex-ministro também foi alvo de críticas ao depor na CPI da Covid. Na ocasião, ele foi acusado por senadores de mentir ou entrar em contradição em temas como atraso na compra de vacinas de diferentes laboratórios e recomendação do governo para o uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19, medicamento cuja ineficácia é comprovada pela ciência.

O relator da CPI identificou 29 tipos penais e sugeriu o indiciamento de 66 pessoas, incluindo deputados, empresários, os ex-ministros da Saúde Eduardo Pazuello e Marcelo Queiroga – que assumiu logo após Bolsonaro demitir o general.

Em julho deste ano, o ministro Gilmar Mendes anulou uma decisão da Justiça Federal do Distrito Federal que havia arquivado parcialmente as apurações sobre as irregularidades de integrantes do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, durante a pandemia de covid-19, incluindo as decisões e omissões de Pazuello enquanto ministro da saúde.

Entre os possíveis crimes apurados estão prevaricação, epidemia com resultado morte e comunicação falsa de crime.

Fora da comitiva

Sempre presente nas ações feitas por Jair Bolsonaro, chamou a atenção o fato de Eduardo Pazuello não ter feito parte da comitiva montada pelo ex-presidente brasileiro para a posse do presidente eleito na Argentina, Javier Milei, que ocorreu no último dia 10.

Estiveram presentes outros apoiadores e grandes nomes do PL (com tudo pago pela sigla), como: o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro; o próprio presidene do partido, Valdemar Costa Neto; o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello; o deputado do Amazonas, Capitão Alberto Neto; o filho de Jair Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro e Zé Trovão.

A decisão de não ir ao país vizinho pode ter sindo influenciada pela repercussão negativa do processo administrativo aberto pelo Exército Brasileiro para apurar a participação de Pazuello em ato em apoio a Bolsonaro, numa motociata feita em 23 de maio de 2021, no Rio de Janeiro

Em sua defesa no caso, Pazuello alegou que foi convidado por Bolsonaro para ir à motociata e, em seguida, informou ao comandante do Exército na ocasião, general Paulo Sérgio Nogueira, que iria ao evento. “Os laços de respeito e camaradagem entre mim e o presidente da República, a meu ver, justificam o convite para o passeio”, alegou Pazuello.

O processo foi arquivado neste ano pelo Exército Brasileiro.

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