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Desde o início dos ataques de Israel contra os palestinos, ao menos 64 profissionais de imprensa foram mortos

Brasil de Fato – A rede de televisão Al-Jazeera vai encaminhar uma denúncia contra Israel ao Tribunal Penal Internacional (TPI) pelo assassinato do cinegrafista, Samer Abu Daqqa, morto por um ataque de drone na sexta-feira (15), enquanto fazia uma reportagem sobre o atentado anterior contra uma escola, usada como abrigo para pessoas deslocadas no sul da Faixa de Gaza.
A Al-Jazeera, que tem sede no Catar, informou que drones israelenses dispararam mísseis contra a escola e atingiram fatalmente Abu Daqqa. Ele deixa uma filha e três filhos. O correspondente da emissora Wael Dahdouh – que perdeu a esposa, um filho, uma filha e um neto, mortos em um ataque aéreo israelense em outubro – também foi ferido no ataque.
“A rede estabeleceu um grupo de trabalho conjunto, composto por sua equipe jurídica internacional e especialistas jurídicos internacionais que iniciarão de forma colaborativa o processo de compilação de um arquivo abrangente para apresentação ao promotor do tribunal. O processo legal também abrangerá ataques recorrentes às equipes da rede que trabalham e operam nos territórios palestinos ocupados e casos de incitamento contra eles”, informou a Al-Jazeera em comunicado ontem (16).
“De acordo com o artigo 8º da Carta do Tribunal Penal Internacional, o ataque deliberado a correspondentes de guerra ou jornalistas que trabalham em zonas de guerra ou territórios ocupados através de assassinato ou agressão física intencional constitui um crime de guerra”, prossegue o comunicado da emissora.
O exército de Israel emitiu nota alegando que nuca visou jornalistas deliberadamente em ataques. E culpou os profissionais de imprensa por estarem em uma “zona de combate ativa durante trocas de tiros”, o que apresenta “riscos inerentes”.
Abu Daqqa e Wael al-Dahdouh foram à escola Farhana, na cidade de Khan Younis, no sul da faixa de Gaza, após o local ter sido alvo de um ataque no início do dia. No momento da cobertura, um drone israelense disparou contra a escola novamente, atingindo os dois. O correspodente foi atingido por estilhaços no braço e conseguiu chegar ao hospital Nasser para ser socorrido. Wael al-Dahdouh disse que eles estavam acompanhando equipes de resgate da defesa civil.
Desde o início dos ataques de Israel contra os palestinos na Faixa de Gaza, ao menos 64 profissionais de imprensa foram mortos.