Prefeito de Borba, Simão Peixoto, é preso por manipular testemunhas em processo que apura desvio de recursos

Os mandados de prisão e busca e apreensão foram cumpridos em Manaus e em Borba. A partir da prisão, o prefeito Simão Peixoto foi afastado do cargo

Durante a Operação Voz do Poder, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (09/01), o prefeito de Borba, Simão Peixoto, foi preso. Ele é suspeito de manipular testemunhas em uma investigação que apura desvios de recursos públicos destinados à compra de merenda escolar no ano de 2020, durante a pandemia da COVID-19.

Os mandados de prisão e busca e apreensão foram cumpridos em Manaus e em Borba. A partir da prisão, o prefeito foi afastado do cargo por um período de 180 dias. De acordo com a Polícia Federal, a medida é necessária para a execução de outras diligências necessárias para a coleta de provas.

Investigação

As investigações revelaram indícios de que os kits de merenda escolar fornecidos não continham ou possuíam uma quantidade muito reduzida de carne de boi, divergindo significativamente do volume contratado. Além disso, constatou-se a ausência de charque nos kits, indícios de falsificação nos recibos de entrega e possíveis pagamentos sem comprovação documental.

Manipulação

Ainda conforme a Polícia Federal, Simão Peixoto conduziu uma videoconferência com servidores municipais intimados pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos relacionados à referida investigação. Neste encontro, o prefeito teria oferecido assistência jurídica e fretamento de aeronave, custeados pela Prefeitura, o que poderia representar uma tentativa de influenciar indevidamente as testemunhas.

“Embora possa ser interpretada como um gesto de auxílio, esta ação cria um ambiente propício para que os servidores se sintam pressionados a adaptar seus depoimentos aos interesses do investigado, comprometendo potencialmente a integridade e a credibilidade das investigações em curso”, diz a noota divulgada pela PF.

Alvo de outras operações

Em março de 2023, Peixoto foi preso preventivamente, pelo Gaeco, em Manaus, pelos crimes de ameaça, desacato difamação e restrição aos direitos políticos em razão do sexo, cometidos contra a vereadora Tatiana Franco dos Santos, parlamentar que vai presidir o grupo que vai analisar a cassação do prefeito afastado.

Em maio, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPE-AM, deflagrou a “Operação Garrote”, após uma investigação apontar indícios da criação de uma organização criminosa liderado por Simão Peixoto. Segundo o MP, Simão Peixoto cometia fraudes em licitação, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva, na Prefeitura do Município.

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