Holanda compra carne de gado criado em áreas desmatadas do Amazonas

Conforme denúncia publicada pela revista Veja, Amazônia Legal tem quatro de cada 10 das mais de 224 milhões de cabeças de gado do Brasil, que hoje é o maior exportador de carne bovina do mundo

A Holanda é um dos principais países compradores da carne de gado criado em áreas desmatadas do Amazonas. A denúncia foi publicada em matéria da Revista Veja. Somente em 2022, o país importou quase 17 mil toneladas de carne bovina brasileira.

A compra da carne amazonense pela Holanda contraria uma regulamentação da União Europeia (UE), que não permite a venda no território europeu de carne oriunda de áreas desmatadas.

Os dados estão num relatório chamado “Desmatamento no Prato”, que a organização Proteção Animal Mundial lançou esta semana.

Pecuária e desmatamento

Atualmente, a Amazônia Legal tem quatro de cada 10 das mais de 224 milhões de cabeças de gado do Brasil, que hoje é o maior exportador de carne bovina do mundo.

O problema é que a pecuária tem relação direta com o desmatamento da maior floresta tropical do planeta. De acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), pastos para o gado cobrem cerca de 90% da área total desmatada e mais de 90% do desmatamento total é ilegal.

Cerca de 21% da Amazônia já foi desmatada, uma área de mais de 830 mil km2, equivalente quase ao tamanho da Alemanha e da França juntas. Ainda segundo o Imazon, apesar de já ocupar mais de 80% das áreas desmatadas na Amazônia com uma produtividade baixíssima, a pecuária ainda pode levar à derrubada de mais 3 milhões de hectares até 2025 caso não sejam adotadas medidas mais efetivas de fiscalização, como a rastreabilidade de todos os animais desde o nascimento. Isso equivaleria à devastação de um território maior do que o estado de Alagoas ou 20 vezes a cidade de São Paulo.

Exposição

Conforme a pesquisadora do Imazon, Ritaumaria Pereira, uma das responsáveis pelo relatório, as companhias ficaram mais expostas principalmente por causa do aumento do desmatamento dentro de suas zonas de compra. “Entre 2016 e 2022, a destruição acumulada nessas áreas aumentou 113%”, observa a especialista.

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