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SSP-AM tinha o prazo de cinco dias para entregar as imagens, após decisão judicial

Em resposta à decisão judicial que obrigou a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) a entregar os vídeos da abordagem policial ocorrida na Zona Leste, no início deste mês, contra o deputado federal Amom Mandel (Cidadania-AM), o Governo do Amazonas afirmou, nesta quarta-feira (31/01), que perdeu as imagens gravadas pelo sistema de videomonitoramento da viatura policial envolvida na ação.
“Quanto ao videomonitoramento da viatura policial, informa-se que, nos termos da informação prestada pela empresa responsável pelo equipamento, não foi possível a recuperação da imagem em virtude do lapso temporal decorrido”, argumentou o Estado, em resposta à decisão.
Para Amom Mandel, o vídeo da viatura é prova relevante para que seja esclarecido o fato, especialmente diante das diferentes versões apresentadas pelos policiais.
“Nós precisamos de todas as provas possíveis pra esclarecer o que aconteceu. Para afirmarmos uma situação temos que ter provas para comprovar o que estamos contando. Essa abordagem foi cheia de erros e truculência, os quais mencionei desde o dia do ocorrido. A falta de imagens é mais uma prova. Não tem nem um mês que o fato aconteceu e eles dizem que não têm o material? Absurdo.”, declarou o parlamentar federal.
A Justiça do Amazonas havia deferido, na segunda-feira (29/01), um pedido de Amom Mandel para obter produção antecipada de prova. Na ação, o magistrado solicitou que a SSP-AM fornecesse as imagens da abordagem policial que foi realizada contra o parlamentar no último dia 4 de janeiro, em Manaus.
A decisão do juiz Paulo Fernando de Britto Feitoza, Titular da 4ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Manaus, deu o prazo de cinco dias para a entrega do material.
Deveriam ser entregues as imagens do sistema de videomonitoramento do Centro Integrado de Operações de Segurança (CIOPS) e os vídeos e áudios do Sistema Inteligente de Câmeras de Videomonitoramento da viatura policial que realizou a abordagem.
“As imagens seriam uma parte fundamental para, segundo o juiz, verificar a possibilidade dos autores em tomarem as devidas medidas judiciais e impossibilitar a perda ou alteração do material”, diz a nota.
Após se envolver em confusão e ser acusado por policiais de dar “carteirada” para supostamente fugir de uma blitz policial em Manaus, o deputado federal Amom Mandel reagiu as acusações e revelou que está sendo “coagido” por ter denunciado à Polícia Federal (PF) a existência de ligações da alta cúpula da SSP-AM com facções criminosas – incluindo o tráfico de drogas -, que dominam o Estado.
Na mesma denúncia, o parlamentar fez, também, acusações contra o atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), deputado Roberto Cidade (União Brasil), que é aliado do governador Wilson Lima, alegando que o mesmo o teria pressionado a desistir de fazer as denúncias na PF.
Sobre a abordagem policial, o deputado federal disse que foi parado pela Rocam na Zona Leste de Manaus e ter sido questionado por que a laterna traseira do carro que dirigia estava queimada. Ele relatou que os PMs foram truculentos e fizeram um ligação diretamente para representantes do Comando da Polícia Militar, fato que não é comum em abordagens de rotina.
Um subcomandante do Comando de Policiamento Especializado (CPE) esteve no local e não aceitou os pedidos de prisão por abuso de autoridade que Amom deu aos policiais. Em seguida, o próprio deputado acionou o secretário da SSP-AM, coronel Marcus Vinícius Almeida, que foi pessoalmente no local do fato e teria tentado convencê-lo a não registrar o caso na delegacia.
Amom destacou em depoimento que após não ceder ao pedido, Almeida concordou que todos fossem até o 14º Distrito Integrado de Polícia (DIP).