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Quem acompanha a propaganda eleitoral no rádio e na TV tem percebido o uso quase corriqueiro de imagens das eleições passadas por parte das coligações que disputam o pleito deste ano para a Prefeitura de Manaus. São vídeos que mostram políticos que antes se atacavam e que, agora, estão no “mesmo barco” e vice-versa, com ex-aliados que “racharam” atuando em campos opostos em 2024.
A mudança no chamado arco de aliança a cada eleição sempre existiu na política amazonense e mostra que os candidatos não são inimigos, mas apenas adversários “do momento”. Neste caso, alguns antigos aliados passam a ser desafetos, e vice-versa, assim que começa um novo pleito, numa postura que gera críticas devido à mudança “de time” conforme a conveniência.
Um caso que tem chamado bastante atenção envolve as deputadas estaduais Alessandra Campêlo (Podemos) e Joana Darc (União Brasil) com o atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), Roberto Cidade (União Brasil), candidato a prefeito.
Um vídeo que circula nas redes sociais “ressuscitou” discursos inflamados antigos de Alessandra e Joana com críticas e denúncias graves contra Roberto Cidade. Porém, neste ano, a situação mudou e as deputadas agora caminham lado a lado do ex-rival, figura recorrente nas redes sociais delas.
“Traíra”, “gananciosos” e “burros”
Joana Darc já chamou Cidade de “traíra” e o acusou de comprar os votos dos colegas para garantir sua eleição como presidente da Casa Legislativa durante um discurso acalorado na tribuna da Aleam. A posição dela na época ganhou repercussão.
“Eu voto em qualquer pessoa, mas não voto no Roberto Cidade”, disse a deputada que tem publicado vídeos ao lado do ex-rival e pede que a população dê um voto de confiança a ele.
Alessandra Campêlo também fez críticas ao agora amigo e o acusou de negociar vagas na mesa da presidência da Casa e na gestão do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM).”Golpistas, apressados, gulosos, gananciosos e burros”, disse ela na tribuna ao se referir ao grupo liderado por Cidade.
VEJA VÍDEO:
No entanto, parece que as rixas ficaram no passado. Joana Darc apoia a candidatura do marido, Aldenor Lima e Alessandra apoia a reeleição do irmão Allan Campêlo para a Câmara Municipal de Manaus (CMM).
Tanto Aldenor quanto Allan fazem parte da coligação “Manaus merece mais” – que é composta pelo Progressistas, Podemos, Republicanos, Partido da Mulher Brasileira (PMB), Partido da Renovação Democrática (PRD) e o Partido Socialista Brasileiro (PSB). A coligação lançou também 294 candidatos ao cargo de vereador na capital.
Outro caso que chama a atenção envolve o governador Wilson Lima (União Brasil) e o prefeito de Manaus David Almeida (Avante), candidato à reeleição. Antes aliados, agora eles estão em lados opostos nesta eleição. O pivô dessa separação política é o presidente da Aleam, Roberto Cidade, que teve apoio declarado de Wilson Lima para disputar a Prefeitura de Manaus.
Governador e prefeito têm se criticado em público. Na propaganda eleitoral no rádio e na TV, a coligação de Roberto Cidade tem usado vídeos de eleições passadas quando Wilson Lima e David Almeida estavam no mesmo palanque político.
Nesta eleição, a realidade é outra. David Almeida não elogia mais o antigo aliado. No início deste mês, por exemplo, em um evento com profissionais da área da Educação, chegou a pedir desculpas por ter apoiado Wilson Lima na eleição para o Governo do Amazonas.
“Quase todos me acompanharam quando eu apoiei o atual governador. Eu vim aqui pedir desculpas de vocês, porque infelizmente o Amazonas está dentro de uma tragédia administrativa. Infelizmente, eu tenho que admitir isso”, disse ele.

De acordo com o cientista político, Luiz Carlos Marques, a mudança de “time” entre os políticos é algo comum e acontece em todo o país. Ele lembrou da relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o vice-presidente Geraldo Alckmin, que foram adversários políticos durante boa parte de suas carreiras e agora estão do mesmo lado.
“Os remanejamentos dependem de fatores como a reconfiguração de partidos, os recursos eleitorais, a influência de lideranças maiores, a busca por sobrevivência no cenário político e até rompimento com antigos aliados, entre outros. Lula e Alckmin são exemplos disso. Estiveram em campos opostos e faziam duras críticas um ao outro. Hoje, eles caminham juntos para administrar o Brasil”.