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A juíza Juliana Arraes afastou, nesta segunda-feira (30/09), o comandante da Polícia Militar (PM) de Parintins, major Francisco Magno Judiss, após o vazamento de um vídeo com secretários estaduais em uma reunião privada com policiais, que teria o objetivo de beneficiar a candidata a prefeita, Brena Dianná (UB), que é apoiada pelo governador Wilson Lima, durante o processo eleitoral.
O suposto esquema pretendia usar a máquina pública do Estado – principalmente as forças policiais -, e até bandidos que praticaram assaltos no Pará, para coagir eleitores da ilha Tupinambarana. A denúncia feita pela coligação do principal oponente de Brena, o candidato Mateus Assayag (PSD), ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), aconteceu após o vídeo com a reunião vazar no fim de semana. O caso é investigado pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Eleitoral (MPE).
Articulação
Além do major Francisco Juddis aparecem nas imagens o presidente da Cosama, Armando do Vale, o secretário de Cultura, Marcos Apolo Muniz; o secretário da Casa Civil, Flávio Anthony e o secretário de administração, Fabrício Barbosa. Segundo gravações, eles estariam discutindo como ajudar a campanha de Brena com grampos telefônicos, monitoramento de pessoas, uso de IA para formação de vídeos falsos, deslocamento de policiais civis e militares para Parintins e outras situações semelhantes.
Na mesma decisão, Juliana Arraes, mandou toda a tropa que foi enviada a Parintins de volta para Manaus. Ela ainda proibiu o presidente da Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama), Armando do Valle, de continuar distribuindo cestas básicas no período eleitoral.
Silêncio
Mais de 48 horas após a denúncia de interferência nas eleições de Parintins, nenhum dos citados nas denúncias falou sobre o assunto, preferindo manter o silêncio.
O Comitê Amazonas de Combate à Corrupção (CACC) emitiu nota pública sobre o caso e pediu que a Polícia Civil e o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) investiguem a denúncia.
“Diante da gravidade dos fatos, este Comitê defende rigorosa apuração policial e do Ministério Público. E, caso as declarações que constam na gravação se confirmem, que os responsáveis sejam punidos rigorosamente, pois tais práticas são inadmissíveis ao processo eleitoral no Estado Democrático,
representando de fato um ataque feroz à lisura das eleições, ao equilíbrio na disputa e agressão à democracia”, detalha a nota.