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Por pouco as mulheres não foram “varridas” da Câmara Municipal de Manaus (CMM) nas eleições 2024. Apesar de serem mais da metade do eleitorado da capital amazonense, o público feminino conseguiu eleger somente três candidatas para a Casa Legislativa: Thaysa Lippy (PRD), Yomara Lins (Pode) e Professora Jacqueline (União Brasil).
Esse resultado deixa ainda menor a já então pequena bancada feminina, que viu sua representação diminuir de quase 10% para apenas 7%. Glória Carrate (PSB), que compõe a atual legislatura da CMM, não conseguiu se reeleger para os próximos quatro anos do Legislativo Municipal.
O analista político Helso do Carmo Ribeiro Filho afirma que não faltaram opções para os eleitores de Manaus votarem em candidaturas femininas com capacidade para atuar na CMM.
“A estrutura das campanhas é cruel. Os partidos políticos são feudos que privilegiam as candidaturas que os líderes maiores dessas siglas gostariam de ver eleitos. Quando eles escolhem quem deve ser eleitos, eles impulsionam essas candidaturas por meio de múltiplas diretrizes, inclusive o recebimento de dinheiro. Neste caso, as mulheres acabam preteridas e ficam do lado de fora ou recebem o mínimo necessário”, destaca Helso.
Retrocesso
Na avaliação da ex-vereadora Lucia Antony, que já atuou na CMM por dois mandatos pelo PCdoB, há um “retrocesso” nas lutas sociais que tem impactado para diminuir a projeção de mulheres na política em Manaus. “Além do mais, as poucas que se elegem, acabam disputando o mesmo voto”, avalia.
Segundo Lucia, houve uma predominância nas eleições deste ano do campo da direita, que tem um forte histórico “machista”. Porém, ela acredita que outros fatores contribuíram para a redução da representatividade das mulheres na CMM.
“Há poucas lideranças femininas de massas, além do financiamento das campanhas, que não favoreceu as mulheres”, analisa a ex-vereadora.
Eleitorado
De acordo com dados da Justiça Eleitoral, em Manaus, as mulheres representam 52,8% do eleitorado, o equivalente a 763.550 eleitoras -, enquanto o público masculino é de 47,2% eleitores ou 682.572 homens aptos a votar na capital amazonense.