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Por não se calar diante da apatia das entidades europeias sobre o racismo, o jogador brasileiro Vinicius Júnior parece ter sido punido ao perder a Bola de Ouro. A vitória do prêmio ficou com o volante espanhol Rodri do Manchester City.
O atacante do Real Madrid ficou em segundo lugar, e Jude Bellingham, da mesma equipe, fechou o pódio. O brasileiro embarcaria em um avião fretado pelo Real Madrid, junto com a delegação madridista, mas o clube decidiu não enviar ninguém ao evento.
Foi primeira vez na história um clube vira as costas para consagrada premiação da revista France Football. Um boicote histórico pela decisão de não escolherem Vini Jr.
“O racismo tira da gente quando aceitamos calado e tira da gente quando o enfrentamos. A sensação que fica é que os organizadores do prêmio estavam com medo do melhor jogador do mundo subisse no palco e denunciasse o racismo Europeu. Uma forma de silenciar o atleta, enquanto combatente racial e desmerecer ele também enquanto jogador de futebol. Seria marcante termos um melhor jogador do mundo que combatesse o racismo. Ele seria exemplo”, destacou Luã Andrade em publicação na internet.
O brasileiro é xingado de “macaco” não só por ser negro. Por ser o jogador adversário que pode desequilibrar qualquer partida, arrasar as equipes adversárias.
Parte importante da imprensa espanhola adota esse discurso e culpa Vinicius Júnior pela perseguição.
Após a cerimônia, o editor-chefe da France Football – revista que organiza o Ballon d’Or -, Vincent Garcia, explicou os motivos da derrota do atacante. Segundo o jornalista, a divisão de protagonismo com a camisa merengue custou caro ao camisa 7.
“Evidentemente, Vinícius sofreu com a presença de Bellingham e de Carvajal no top-5, porque matematicamente isso lhe custou alguns pontos. Isso também resume a temporada do Real Madrid, que teve cerca de três ou quatro jogadores no topo, e os jurados dividiram suas decisões entre eles, o que beneficiou Rodri”, apontou Vincent.
Além das interações em suas postagens, Vini Jr. recebeu o apoio por meio de publicações de amigos e ex-companheiros, como Toni Kroos, Karim Benzema e Lucas Paquetá. O craque também mandou um recado aos críticos: “Eu farei 10 vezes se for preciso. Eles não estão preparados”.
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, publicou na segunda-feira (28/10) uma mensagem de solidariedade ao atacante do Real Madrid Vini Jr.
“Você é gigante, Vini! O racismo nunca irá nos parar, vamos pra cima fazendo história! De novo e de novo, até o fim!”, escreveu a titular da pasta na rede social X.
Vini Jr. teve uma temporada perfeita pelo clube. Venceu a Champions League, sendo enorme destaque. Assim como o Espanhol e a Supercopa da Espanha. Teve atuações excepcionais.
Foram 15 gols do brasileiro no Campeonato Espanhol, além de seis na campanha europeia, incluindo tentos na semifinal contra o Bayern de Munique e na decisão contra o Borussia Dortmund.
O mais importante jornal esportivo francês, o L’Equipe, divulgou hoje a pesquisa popular para a premiação. O brasileiro ficou disparado em primeiro, com 41,3% dos votos, Rodri, do Manchester City, ficou em segundo, com 13%.