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O genocídio praticado por Israel que está em curso na Faixa de Gaza e as agressões israelenses contra o Líbano contribuíram para a derrota de Kamala Harris e do partido Democrata nas últimas eleições presidenciais nos Estados Unidos, segundo avaliação do jornal norte-americano The New York Times.
De acordo com a análise do veículo de comunicação, o apoio da atual vice-presidente norte-americana a matança israelense contra palestinos e libaneses levou eleitores contrários a guerra a se sentirem incomodados com a postura da postulante ao cargo de presidente em apoiar a carnificina do povo árabe no Oriente Médio.
Ainda segundo o jornal, os eleitores estavam insatisfeitos, também, com a administração de Joe Biden, atual presidente, que continuou a enviar armas para Israel, incômodo esse que refletiu nas urnas. Sob governos do partido Democrata, os Estados Unidos conduziram Israel a cometer as piores atrocidades contra o povo palestino.
Conforme o The New York Times, os eleitores mais devotados do partido Democrata queriam acabar com as vendas de armas para os sionistas, mas a ação continuou mesmo depois de o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ter expandido a guerra para o Líbano.
“Eis que os democratas perderam feio, como em poucos momentos na história, porque, além da derrota presidencial, levaram uma surra nas renovações do Senado e da Câmara. Alguns dirão que a questão palestina e o genocídio em curso seriam incapazes de derrotar Kamala Harris, a vice-genocida e candidata em lugar do desistente presidente-genocida Joe Biden, uma vez que apenas 4% dos eleitores estadunidenses pesquisados pela CNN nas vésperas da eleição disseram que a política externa pautaria sua decisão”, declarou o presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), Ualid Rabah, que fez uma análise sobre o impacto do genocídio na Faixa de Gaza sobre as eleições norte-americanas.
Outros fatores ligados ao genocídio de palestinos
O jornal The New York Times chegou a apontou outros pontos que podem ter contribuído para a perda nas urnas.
Segundo a análise do jornal, todas essas ações proporcionaram a oportunidade propícia para Trump vencer as eleições presidenciais dos EUA. Trump fez essa análise e cortejou os eleitores indecisos, prometendo ajudar “o Médio Oriente a regressar à verdadeira paz” e atacando a ex-deputada Liz Cheney, a republicana escolhida por Harris para fazer campanha com ela.
Até 2013, apenas 12% dos estadunidenses eram favoráveis aos palestinos, proporção que saltou para 27% após iniciada esta fase da limpeza étnica na Palestina, um aumento, em dez anos, de 125%.
“A insatisfação de parcela do eleitorado democrata com o genocídio tornou-se pública em vários momentos. Talvez o mais decisivo, com repercussão no tempo até esta eleição, tenha sido o dos estudantes das principais universidades dos EUA, expresso, de modo geral, em toda a juventude estadunidense. As pesquisas de opinião, ademais, não deixam dúvidas do impacto da questão palestina na opinião pública da ilha bipartidária disputada por Trump e Kamala, hoje muito maior que dez anos antes”, avaliou Ualid Rabah.

Segundo lembrou o presidente da Fepal, já são 44.142 palestinos exterminados na Faixa de Gaza em um ano e um mês, que ascendem a 54.142, considerando os 10 mil desaparecidos sob os escombros, ou impressionantes 2,43% da demografia do território.
Ualid Rabah destacou, também, que essa é a maior matança de mulheres e crianças em guerras e genocídios da história, totalizando 65% de todos os exterminados. As crianças assassinadas são 21.485.
“Vale apresentar a responsabilidade dos Estados Unidos e dos democratas neste extermínio. Primeiro, 80% de todas as armas, munições e sistemas utilizados no genocídio são dos Estados Unidos, bem como foram seus U$S 22,8 bilhões (R$ 125,2 bilhões) que pagaram esta aventura de ‘Israel’, ou U$S 434 mil (R$ 2,4 milhões) para cada criança, mulher e demais civis exterminados. Diante de tudo isso, o eleitor estadunidense, que estava diante de escolher o ‘melhor’ gestor do genocídio, optou por descartar os democratas, claramente os genocidas na Palestina. Eles financiam o genocídio, impediram a ONU de impor um cessar-fogo e, mesmo depois dele aprovado, em março (deste ano), não obrigam Israel a cumpri-lo. Mais do que isso: mantêm armas e dinheiro para o extermínio mesmo depois de a petição da África do Sul ter sido admitida pela Corte Internacional de Justiça e ter esta determinado, a 26 de janeiro, a cessação dos atos de genocídio’, esclareceu Ualid Rabah.