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O ritmo do desmatamento na Amazônia caiu 30,6% no período de agosto de 2023 a julho de 2024 em relação ao ano anterior (2022/2023), conforme informações divulgadas, na semana passada, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), por meio de dados coletados pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), sistema que faz a apuração anual da supressão florestal nos nove Estados dessa região brasileira.
Apesar dessa queda, o Amazonas possui quatro cidades que seguem na contramão da política de preservação ambiental e estão numa lista de 17 municípios considerados como os maiores desmatadores da Amazônia. São eles: Boca do Acre, Itapiranga, Maués e Novo Aripuanã.
No caso de Itapiranga e Novo Aripuanã, a taxa de desmatamento é superior a 25% com relação ao período anterior. Já em Maués e Boca do Acre, esse índice é menor do que 25%.
Pará tem mais municípios entre os desmatadores
O Pará é o Estado da Região Norte com o maior número de municípios nessa lista de desmatadores, oito ao todo: Cumaru do Norte, Itaituba, Paragominas, Prainha, Rondon do Pará, Santana do Araguaia, Trairão e Ulianópolis. Depois vem Mato Grosso, com três cidades – Nova Maringá, Paranatinga, São José do Xingu. A lista é fechada com Acre e Roraima, com um município cada – Feijó e Mucajaí, respectivamente.
No caso do Pará, há áreas de pastagens e plantações que já ultrapassam a de floresta nativa. É o caso de Santana do Araguaia, que, em 2023, chegou a 60% do território – um total de quase 700 mil hectares -, destinado ao uso agropecuário. Desses, pouco mais de 600 mil hectares são pastagens. A soja também avança no município que, em 2013, tinha 7,7 mil hectares destinados ao plantio do grão. No ano passado, a área saltou para 76 mil hectares.
Em Rondon do Pará, as lavouras e pastagens ocupam 55% do território. São 36 mil hectares de soja e 412 mil hectares de pastagens. Outros municípios com grandes extensões de pasto e monocultura são Ulianópolis (PA), com 53% da área destinado ao uso agropecuário; e São José do Xingu (MT), com 50% da mata nativa convertida em pastagens e plantações.
Redução nos Estados
Apesar desses Estados ainda terem municípios entre os maiores desmatadores da Amazônia, todos eles – com a exceção de Roraima -, apresentaram redução nos índices de desmatamentos, com destaque para Mato Grosso (-45,1%), Pará (-28,4%) e Amazonas (-29%), segundo dados do Inpe.
Com a queda, esta é a segunda temporada seguida em que o Amazonas registra baixa no desmatamento. Na anterior, o Prodes apontou que o Estado havia conseguido reduzir em 40% a área desmatada, na comparação com agosto de 2021 a julho de 2022.
“São números muito satisfatórios, pois indicam que nossos esforços estão sendo efetivos no combate ao desmatamento, ano após ano. Temos, agora, grandes desafios no combate às queimadas ilegais. O Estado está focado neste trabalho e, temos certeza que o cenário de focos de calor seria bem pior se não tivéssemos alcançado essa redução na área desmatada”, disse o secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira.
A melhor taxa de redução foi medida em Rondônia, com queda de 62,5% do desmatamento. Já Roraima registrou aumento de 53% no desmatamento ao longo do último período analisado.
Segundo o Inpe, no total, são 70 municípios monitorados dentro do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm). Eles respondem a quase 80% de todo o desmatamento no bioma.
Ações do Governo Federal
A redução do desmatamento tem ocorrido em boa parte em função de ações do Governo Federal. Uma dessas iniciativas foi a retomada, no ano passado, do PPCDAm, que foi criado em 2004, mas havia sido suspenso durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. O programa visa medir o monitoramento dos municípios que mais desmatam a Amazônia.
Como ação complementar do PPCDAm, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) lançou, em abril de 2024, o Programa União com Municípios pela Redução do Desmatamento e Incêndios Florestais na Amazônia, que oferece um total de R$ 730 milhões para promover o desenvolvimento sustentável, combater o desmatamento e os incêndios florestais.
Atualmente, 48 municípios aderiram ao Programa União com Municípios para receber benefícios do governo federal. Dos 17 que registraram aumento no desmatamento no período mais recente, 14 são signatários da proposta de redução da devastação.
Os únicos três que não pactuaram com a proposta e também seguem com o desmatamento em alta são: Novo Aripuanã, no Amazonas; e Nova Maringá e Paranatinga, no Mato Grosso.
Com informações da Agência Brasil e site Brasil de Fato