Biden será recebido com protestos em Manaus e no Rio de Janeiro

Entidades que defendem o fim do genocídio na Palestina pretendem protestar durante a visita do presidente dos Estados Unidos em Manaus e no Rio de Janeiro

Manifestações estão previstas para ocorrer em Manaus e no Rio de Janeiro, onde estará Joe Biden, que tem ajudado Israel com armas (Foto: Divulgação)

Entidades que defendem o fim do genocídio na Faixa de Gaza pretendem fazer protestos durante a visita do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em Manaus, no próximo domingo (17/11), e durante a reunião da cúpula do G20, no Rio de Janeiro, na próxima semana. Os atos visam denunciar e reivindicar uma atuação mais firme contra Israel por parte dos principais líderes mundiais, entre eles os dos Estados Unidos, da França e da Alemanha.

Em Manaus, a Aliança pela Libertação da Palestina (ALP) convocou movimentos sociais de vários segmentos, coletivos populares, sindicatos e partidos políticos para participarem do ato em repúdio à presença de Joe Biden no Brasil.

“O mesmo governo que cometeu crimes imperdoáveis contra comunidades indígenas está atualmente enviando bilhões de dólares em ajuda a Israel para extermínio do povo palestino, que também são povos originários. Essa ajuda promove a limpeza étnica dos palestinos de suas terras ancestrais. O colonialismo não está isolado em um povo ou comunidade e devemos nos unir em nossa luta contra ele”, diz um trecho do comunicado.

Os manifestantes vão se reunir no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, às 9h, horário previsto para a chegada do presidente americano à capital amazonense. Ele deve conceder entrevista em uma coletiva de imprensa antes de seguir para o Museu da Amazônia (Musa), onde deverá se encontrar com políticos, entidades e indígenas.

Após deixar Manaus, Joe Biden vai participar da cúpula do G20, no Rio de Janeiro, onde se reunirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades mundiais.

G20 no Rio

No Rio de Janeiro, a caminhada pela paz na Palestina será realizada, no sábado (16/11), às 8h, com saída do posto 6, em Copacabana. A pesquisadora, economista e mestranda em Ciência Política no IESP-UERJ, Shamira Rossi, falou com exclusividade ao portal Panorama Real sobre o movimento.

“Esse será um momento para expressar o posicionamento do povo brasileiro em defesa do povo palestino e contra o imperialismo”, destacou Shamira Rossi.

Além da caminhada, representantes dos movimentos que defendem o fim do conflito devem participar de todas as discussões que envolvem o tema.

“Nós vamos participar das mesas onde houver discussões sobre o genocídio contra o povo palestino e, se possível, vamos contribuir com falas. Além disso, vamos entregar uma carta às autoridades pedindo paz e que tomem mais ações em relação ao conflito”, disse.

Alguns políticos já confirmaram presença no movimento, entre eles: a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e os deputados Jilmar Tatto, Lindbergh Farias e Vicentinho.

Bandeira da Palestina foi hasteada nos Arcos da Lapa (Foto: Divulgação)
Inimigo do povo palestino

Nos últimos anos, os Estados Unidos conduziram Israel a cometer as piores atrocidades contra o povo palestino. Joe Biden tem apoiado a ofensiva israelense e continuou a enviar armas para o governo e os militares israelenses que tem promovido uma campanha com características de genocídio.

Em vários atos realizados em todo o território norte-americano, Biden tem sido alvo de protestos de ativistas pró-palestinos, que o rotularam de “Joe Genocida” pelo seu apoio inabalável a Israel. Em maio deste ano, ele chegou a defender os sionistas e negou o genocídio na Faixa de Gaza.

“O que está acontecendo em Gaza não é genocídio. Rejeitamos isso”, disse Biden, na época, durante um evento do Mês da Herança Judaica Americana na Casa Branca. 

Missão de Lula no G20

O Brasil sedia a cúpula de líderes das 20 maiores economias do mundo – o chamado G20 -, nos próximos dias 18 e 19 deste mês, no Rio de Janeiro. A posição brasileira é de buscar consenso entre os países sobre temas geopolíticos. O presidente Lula tem sido uma das vozes mais fortes no cenário internacional contra as agressões israelenses.

De acordo com o embaixador e secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, Mauricio Lyrio, a mensagem que o Brasil quer passar na declaração final é sobre a “paz”.

“A mensagem principal, naturalmente, é a de que precisamos chegar à paz. Em relação não só a esses conflitos [Ucrânia e Palestina], mas a todos os conflitos”, afirmou o diplomata, que é o “sherpa” do Brasil no G20, designação utilizada para o representante que conduz as negociações em nome do governo.

Apesar de subir o tom contra o governo israelense, Lula tem sido cobrado por organizações e movimentos sociais de apoio à Palestina para tomar medidas concretas contra Israel – como o rompimento das relações diplomáticas.

Os países do G20 representam 80% da economia global e entre eles estão os principais apoiadores de Israel, como Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha. Por outro lado, integram o grupo países críticos ao regime israelense, como África do Sul, Brasil, México, Rússia e Turquia.

Na última segunda-feira (11/11), manifestantes hastearam uma bandeira da Palestina no principal cartão postal do Rio: os Arcos da Lapa. As agressões israelenses na Faixa de Gaza já causaram a morte de, ao menos, 43,4 mil pessoas, em sua maioria civis, segundo dados das autoridades de Saúde palestinas.

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