ONU diz que Israel ‘usa fome como tática de guerra’ e tem ações com ‘características de genocídio’

A quantidade de ajuda que chegou a Gaza foi a menor em um ano (Foto: Reprodução)

Um comitê especial das Nações Unidas, responsável por investigar supostos crimes israelenses, divulgou, nesta quinta-feira (14/11), um novo relatório que classifica os métodos de guerra utilizados por Israel na Faixa de Gaza como “características de genocídio”. O relatório também critica Israel por “usar a fome como uma tática de guerra” e por aplicar um “castigo coletivo” à população palestina.

O documento, que será apresentado na Assembleia Geral da ONU na próxima segunda-feira (18/11), ressalta o número de civis mortos e as condições adversas impostas aos palestinos, que colocam suas vidas em risco de maneira deliberada. O texto coloca em análise o período desde o ataque de 7 de outubro de 2023 até julho deste ano.

Somente em fevereiro, as forças israelenses lançaram mais de 25 mil toneladas de explosivos na Faixa de Gaza, o que equivale ao impacto de duas bombas nucleares no local. Segundo o comitê, tais ataques resultaram em uma combinação devastadora de crises que afetará gravemente as futuras gerações.

Além disso, a Human Rights Watch (HRW) também se manifestou, informando que mais de 90% da população da Faixa de Gaza foi obrigada a deixar suas residências devido ao conflito.

De acordo com o relatório, até mesmo áreas que eram consideradas seguras não escaparam dos bombardeios israelenses.

Fome

Os peritos consideram que a fome se tornou “arma de guerra” e que há o desejo de “infligir castigos coletivos à população palestina” sob o pretexto de fazer retaliação contra o Hamas. A ONU relatou que todas as tentativas de enviar ajuda ao norte da Faixa de Gaza foram negadas ou bloqueadas por autoridades israelenses.

Na mesma semana, a UNRWA –  agência da ONU responsável pela assistência aos palestinos -, também mencionou que Israel não atendeu ao prazo estipulado pelos Estados Unidos para aumentar a entrada de assistência humanitária no local.

A quantidade de ajuda que chegou a Faixa da Gaza foi a menor em um ano, com média de apenas 37 caminhões por dia para atender a uma população de 2,2 milhões de pessoas em extrema vulnerabilidade.

No começo de novembro, a diretora do UNICEF , Catherine Russell, alertou que a população palestina no norte de Gaza enfrenta um “risco iminente” de morte devido a doenças, fome e bombardeios.

O comitê acusa Israel de ter ignorado no último ano apelos repetidos da ONU e as decisões do Conselho de Segurança e do Tribunal Internacional de Justiça, que analisa queixa sul-africana por suspeita de genocídio em Gaza. O governo de Israel não se pronunciou sobre as acusações do comitê da ONU.

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