Grupos terroristas avançam em Aleppo, segunda maior cidade da Síria

Aleppo, a segunda maior cidade da Síria, é alvo de ataques de grupos terroristas desde a última quarta-feira (27/11), mesmo dia que entrou em vigor um cessar-fogo de 60 dias no Líbano. A ação dos terroristas – muitos deles turcos e de países da Ásia Central, além de sírios -, não é vista como uma coincidência, mas como parte de um plano dos Estados Unidos e Israel com a ajuda da Turquia para enfraquecer o governo sírio, aliado do Irã

Os grupos terroristas tinham sido expulsos de Aleppo entre 2016 e 2017 pelas forças governistas, que contam com apoio do Irã e da Rússia.

Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (SOHR, na sigla em inglês), uma entidade vinculada ao serviços de inteligência do Reino Unidos, o ataque contra Aleppo foi realizado pelo grupo Hayat Tahrir al Sham, vinculado à Al-Qaeda, com apoio de outras facções terroristas aliadas.

O SOHR contabiliza mais de 320 mortes desde o início das agressões terroristas, sendo ao menos 44 civis. Esta é a primeira vez que Aleppo saiu do controle do governo sírio, segundo a organização.

Entre os locais tomados pelos rebeldes estão o aeroporto da cidade e o consulado do Irã, ambos locais civis. Em comunicados divulgados por seus dirigentes, os terroristas confirmam a ofensiva. Um dos grupos envolvidos afirma que a ação foi facilitada devido a baixas militares das forças apoiadas pelo Irã em meio a conflitos com Israel.

A Rússia respondeu aos ataques terroristas com o primeiro bombardeio realizado em território Sírio desde 2016. O Kremlin informou que os caças atingiram integrantes dos grupos armados e arsenais.

Irã reforça apoio à Síria

O Irã, por sua vez, reforçou o apoio ao governo sírio. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, embarcou neste domingo (01/12) para a capital da Síria, Damasco, e afirmou que “o exército sírio vencerá novamente esses grupos terroristas, como no passado”, segundo informou a agência de notícias estatal IRNA. 

A guerra civil na Síria não registrava confrontos nesse nível desde 2020, quando foi assinado um cessar-fogo com anuência da Rússia e da Turquia (que apoia parte dos grupos terroristas). O governo turco pediu, agora, que os ataques sejam interrompidos.

Os episódios tiveram reações, também, de países do Ocidente (opositores de Al-Assad), como a França, que pediu uma trégua; e os Estados Unidos, que afirmaram que a perda do controle de Aleppo aconteceu devido à “dependência” síria da Rússia e do Irã.

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