Sudam aprova recurso de R$ 1,7 bilhão do FDA para Linhão que levará energia de Manaus a Boa Vista

O Linhão de Tucuruí tem uma extensão total de 720,9 quilômetros (Foto: Divulgação)

A Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) publicou a resolução n° 1.179 no Diário Oficial da União, do último dia 27 de dezembro, aprovando o uso de recursos do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA) para levar uma nova linha de transmissão energética a Roraima.

O Linhão Manaus – Boa Vista está propondo uma operação de R$ 1,7 bilhão junto ao FDA, em complemento aos R$ 800 milhões do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), contratados com o Banco da Amazônia, num total de R$ 3,5 bilhões.

“Este é um projeto que vai gerar 3.500 empregos diretos, com respeito aos povos indígenas originários, redução de emissões, mais segurança energética e um ambiente de negócios ainda mais dinâmico, inclusivo e sustentável para a Amazônia”, destacou o secretário nacional de Fundos e Instrumentos Financeiros, Eduardo Tavares.

Segundo a resolução da Sudam, o FDA possui capacidade financeira e orçamentária de aportar os recursos de acordo com cronograma físico-financeiro do empreendimento. Além disso, a equipe de análise destacou que o Termo de Aprovação do Projeto emitido pela Caixa Econômica Federal, agente operador do projeto, atestou que a concessionária apresenta viabilidade econômico-financeira; e ela deverá apresentar ao agente operador as informações e os documentos necessários à celebração do contrato de financiamento no prazo estabelecido pelo Regulamento do FDA.

A concessionária Transnorte Energia S.A (TNE) será a responsável pela realização do projeto. Ela iniciou as tratativas em 2025, junto ao MME e ao Ministério da Defesa, a fim de viabilizar a autorização para iniciar estudos de implantação da linha de transmissão em 500kV, interligando as subestações Engº Lechuga (Manaus – MA), Equador (Rorainópolis – RR), e Boa Vista (Boa Vista – RR).

Problemas no sistema de abastecimento

A capital de Roraima, Boa Vista, recebe fornecimento de energia elétrica por meio de sistema de transmissão da interligação Brasil – Venezuela, cuja operação foi iniciada em 2001. No entanto, restrições no fluxo de energia e a precarização das condições técnicas do suprimento eletroenergético da Venezuela impactaram negativamente a qualidade do atendimento aos consumidores do estado de Roraima.

Segundo informações do Ministério de Minas e Energia (MME), as quedas no abastecimento se agravaram a partir de 2015. Somente no ano de 2018, houve 85 blecautes no sistema de Boa Vista.

Linhão de Tucuruí

A obra do Linhão de Tucuruí já atingiu 70% de execução e segue rigorosamente dentro do cronograma. A previsão de conclusão é setembro de 2025, segundo a Transnorte. Roraima deixará de ser o único Estado fora do Sistema Interligado Nacional (SIN).

O Linhão de Tucuruí tem uma extensão total de 720,9 quilômetros. Dividida em dois trechos principais — LT 500  kV Engenheiro Lechuga – Equador CD (400 km) e LT 500 kV Equador – Boa Vista CD (315 km) —, a obra também inclui a construção de três subestações: Engenheiro Lechuga, Equador e Boa Vista. 

A entrega do Linhão de Tucuruí é um marco histórico para Roraima, resultando na redução dos custos de energia, maior estabilidade no fornecimento e a integração definitiva ao sistema elétrico nacional. Os impactos econômicos e sociais serão profundos, encerrando décadas de isolamento elétrico.

Atualmente, a região amazônica conta com 211 sistemas isolados, que precisam gerar a própria energia a partir de combustíveis fósseis. A estimativa do governo é que aproximadamente 3 milhões de pessoas vivam nessas localidades. Ao substituir a matriz térmica por opções mais sustentáveis, 1,5 milhão de toneladas de carbono deixarão de ser lançadas na atmosfera.

VEJA O DOCUMENTO:

add_action('wp_footer', function() { ?>