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Entidade palestina diz que órgão diplomático violou a soberania nacional e deve explicações

Investigado no Brasil após ter sido denunciado por cometer crimes de guerra durante o genocídio promovido por Israel contra a população civil da Faixa de Gaza, na Palestina, o militar Yuval Vagdani fugiu do território brasileiro – onde estava a turismo em Morro de São Paulo, na Bahia -, na noite de sábado (04/01), com a ajuda da embaixada israelense. Ele é alvo de um pedido de investigação da Justiça Federal.
Segundo informou a emissora CNN, o soldado israelense fugiu do país em um voo comercial com origem em Salvador (BA) e destino a Buenos Aires, capital da Argentina. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores de Israel informou que a embaixada israelense no Brasil fez contato com o soldado e sua família, “prestando apoio durante todo o evento e garantindo sua saída rápida e segura” do país. A representação israelense seguiu orientações do Ministério das Relações Exteriores de Israel para que os militares denunciados por seus crimes “não estivessem em perigo”.
“O Departamento de Assuntos Consulares do Ministério das Relações Exteriores e a Embaixada de Israel no Brasil contataram o cidadão israelense e sua família, fornecendo apoio durante todo o incidente até sua partida rápida e segura do Brasil”, disse a declaração de Israel, conforme o jornal Jerusalem Post.
Por sua vez, a emissora pública israelense KAN, citada pelo Jerusalem Post, informou que a família do militar israelense observou que ele não havia sido detido e que estava recebendo ajuda de “pessoas relevantes”. O pai dele disse ao Canal 12, de Israel, que um amigo que estava viajando com seu filho recebeu uma mensagem de um escritório diplomático israelense informando que um mandado de prisão havia sido emitido para ele.
“Pedi que eles fugissem imediatamente e não ficassem nem mais um momento”, disse o pai, acrescentando que recebeu mensagem do filho às 5 da manhã de domingo (05/01), dizendo que eles haviam cruzado a fronteira, mas que não tinham sinal de celular desde então, diz o jornal Times of Israel.
‘Ofensa à soberania do Brasil’
Para o presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), Ualid Rabah, a participação da Embaixada de Israel na fuga do militar investigado pela Justiça Federal “tem implicações graves”, uma vez que o episódio atenta contra a soberania nacional.
“Houve uma ofensa severa à soberania do Estado brasileiro por um Estado investigado por genocídio, crimes de guerra, crime de Apartheid e colonialismo. O Brasil deve, no mínimo, chamar para consultas o embaixador de Israel, censurá-lo e, eventualmente, investigar a totalidade da participação neste ‘crime’ contra a soberania brasileira e expulsar a totalidade do corpo diplomático israelense”, declarou Rabah.

Entenda o caso
No dia 30 de dezembro de 2024, a juíza Raquel Soares Charelli, da Seção Judiciária do Distrito Federal, emitiu uma decisão para que Polícia Federal (PF) investigasse Vagdani. Na ocasião, a Justiça Federal atendeu a um pedido da Fundação Hind Rajab (HRF), organização internacional que defende os direitos palestinos. A notícia-crime contra o soldado israelense foi formulada pelos advogados Maira Machado Frota Pinheiro e Caio Patrício de Almeida.
O militar é acusado de participar da demolição de um quarteirão residencial em Gaza, no final de 2024, utilizando explosivos fora de situações de combate. As residências serviam de abrigo para palestinos deslocados internamente após o início da agressão genocida em 7 de outubro de 2023.
A HRF apresentou evidências coletadas por meio de inteligência de fontes abertas, incluindo vídeos e dados de geolocalização, que comprovam o envolvimento do soldado nas ações denunciadas.
A investigação se concentra no período em que Vagdani atuou no batalhão Givati, uma unidade das Forças Armadas de Israel. A denúncia ainda destaca a destruição de um corredor na Faixa de Gaza, que gerou expulsão forçada de civis e profundas consequências humanitárias.
Além da investigação, a HRF solicitou a prisão provisória do militar, alegando risco de fuga ou destruição de provas. A decisão judicial baseia-se no artigo 88 do Código de Processo Penal Brasileiro, que permite a aplicação da jurisdição universal para crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio, conforme previsto no Estatuto de Roma, do qual o Brasil é signatário.

Ameaças ao Brasil
O deputado israelense Dan Illouz, do partido governista de extrema-direita Likud, ameaçou o Brasil por se posicionar em defesa do direito internacional e contra os crimes de guerra de Israel. “O Brasil se tornou um Estado patrocinador de ‘terroristas’”, afirmou, apesar de ignorar o fato de que a justiça brasileira emitiu sua decisão justamente para investigar um terrorista, neste caso, vindo de Israel.
“Israel não ficará de braços cruzados diante da perseguição de seus soldados”, continuou, concluindo que o Brasil “pagará o preço se não mudar sua conduta”, disse o extremista judeu.
Para o presidente da Fepal, Ualid Rabah, o Brasil deve investigar a ação de Israel para desestabilizar a política nacional, diante de ameaças como a do deputado Dan Illouz.
“O Brasil deveria, imediatamente, emitir uma ordem de captura à Interpol e, por fim, investigar os agentes públicos que, por ventura, podem ter vazado para as autoridades israelenses a ordem de captura e, além disso, negligenciarem, no cumprimento da ordem, para facilitar o tempo de fuga do criminoso”, avaliou o líder comunitário.
Bolsonaro sai em defesa de criminoso israelense
Por meio das redes sociais, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que nunca se solidarizou com os civis palestinos assassinados por Israel, publicou mensagem em apoio aos criminosos israelenses que matam mulheres e crianças, entre outros inocentes, na Palestina Ocupada. Na publicação, o político da extrema-direita afirma que o Brasil está “colocando a Polícia Federal para investigar membros das Forças Armadas de Israel” que estão “de férias no Brasil”, ignorando o histórico criminoso dos militares israelenses.