Deus, imigração e críticas ao governo Biden foram principais pontos do discurso de posse de Trump nos EUA

Donald Trump prometeu “era de ouro” nos EUA no seu discurso de posse (Foto: Reprodução/redes sociais)

Em um discurso de cerca de 30 minutos, o presidente recém-empossado dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, confirmou algumas das expectativas previamente anunciadas, como a retomada do Canal do Panamá; o combate à migração ilegal no país, em especial a partir da fronteira com o México. Em suas primeiras palavras como o 47º presidente dos EUA, ele prometeu retomar a grandeza dos EUA, adotou tom messiânico para justificar sua vitória nas eleições, repetiu mentiras e anunciou as primeiras medidas que tomará já no 1º dia de seu novo governo.

“A era de ouro dos Estados Unidos começa neste momento (…) Os EUA vão retomar lugar de nação mais grandiosa e próspera, voltaremos a ser respeitados em todo o mundo. Nossa soberania será recuperada, nossa segurança será restaurada. A balança da Justiça será reequilibrada. (…) Seremos prósperos, orgulhosos, fortes e vamos vencer como nunca antes. (…) De hoje em diante, os EUA serão uma nação livre, soberana e independente”, afirmou o novo presidente.

Críticas a Biden

O republicano também criticou o governo Biden, afirmando que o democrata “não consegue administrar uma simples crise doméstica” além de “acumular eventos catastróficos no exterior”. Também citou a crise migratória que o país vive. Logo após Trump ser empossado, sua equipe mudou o site oficial da Casa Branca para mostrar uma foto de Trump com a mensagem “Os EUA voltaram”.

Enviado de Deus

Durante seu discurso, Trump também adotou tom messiânico ao afirmar que foi escolhido por Deus quando escapou da morte no atentado sofrido durante comício em julho: “Minha vida foi salva por Deus para tornar os EUA grandes novamente”, repetindo seu slogan de “Maga”.

Energia

O presidente afirmou que declarará emergência nacional de energia, de forma a retomar, em larga escala, a produção de fontes não sustentáveis, em especial petróleo e gás, para garantir as reservas estratégicas do país, bem como a disponibilização de energia para as indústrias norte-americanas. E prometeu também revogar obrigações de cunho ambientalista em favor de veículos elétricos, de forma a manter o compromisso com as montadoras de veículos com motores à combustão.

Trump voltou a afirmar que, para proteger os trabalhadores americanos, pretende tributar produtos com origem em outros países. Reiterou alguns de seus posicionamentos contrários à chamada ideologia de gênero, dizendo que “há apenas dois gêneros: o masculino e o feminino”, e que porá “fim à política de tentar fazer engenharia social da raça e do gênero, promovendo uma sociedade que será baseada no mérito, sem enxergar a cor”.

Imigração ilegal

“Toda entrada ilegal será imediatamente impedida, e iniciaremos processo de devolução de milhões de imigrantes ilegais a seu país de origem. Restabeleceremos a política do ‘fique no México’ e porei em prática a lei de prender e deportar. Tropas serão enviadas para o sul para dificultar a entrada em nosso país. Além disso, vou designar os cartéis [de drogas] como organizações terroristas internacionais”, discursou o presidente, que, pela segunda vez, assume a Casa Branca.

Trump acrescentou que vai retomar uma legislação de 1708 sobre imigrantes, pela qual seu governo poderá utilizar todas forças de segurança pública para “eliminar gangues” que praticam crimes em cidades e bairros norte-americanos. “Como comandante chefe, não há responsabilidade maior do que defender nosso país de ameaças e invasões. Farei isso em um nível nunca antes visto em nosso país”, disse ele, ao afirmar que, em breve, alterará o nome do Golfo do México para Golfo da América.

Poderosa e respeitada

O novo presidente disse que fará os Estados Unidos retornarem a seu lugar como a nação mais poderosa e respeitada do mundo. “Teremos a maior força armada que o mundo já viu”, afirmou.

Tump lembrou que o Canal do Panamá foi uma obra americana cedida àquele país, ao custo de 38 mil vidas perdidas durante sua construção. “Depois disso, fomos tratados de forma cruel, após oferecermos esse presente que jamais deveria ser dado. O espírito desse presente foi totalmente violado, com sobretaxas aos navios americanos. Não fomos tratados de forma justa, sobretudo pela China, que opera o canal. Por isso, vamos tomá-lo de volta”, prometeu.

“Minha mensagem hoje é de que é hora, mais uma vez, de agirmos com coragem, vigor e com a vitalidade das maiores nações da história”,complementou.

Veja o que mais Trump afirmou durante seu discurso:

  • Prometeu ser “pacificador e unificador” durante seu segundo mandato, e que esse será seu legado político;
  • Prometeu crescimento econômico inédito: “Vamos construir carros em uma velocidade que vocês nunca viram. Vocês vão poder comprar qualquer carro”, afirmou Trump;
  • Reafirmou que renomeará o Golfo do México para “Golfo da América”, em referência aos EUA.
  • Reafirmou que retomará o Canal do Panamá, afirmando que o estreito foi tomado pela China. “O canal foi dado ao Panamá, não à China. Vamos tomá-lo de volta”;
  • Criação de sistemas para proteger os empregos dos cidadãos dos EUA;
  • Prometeu revogar todas as formas de censura e “restaurar a liberdade expressão” nos EUA;
  • Afirmou que o sistema de Justiça dos EUA não perseguirá mais inimigos políticos de quem estiver no poder;
  • Prometeu a extinção de programas de diversidade: “Vamos forjar sociedade que não enxergará duas cores e será baseada no mérito. Agora só existem dois gêneros: masculino e feminino”.

Com informações das agências internacionais

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