Plínio Valério descarta fim do PSDB

Plínio Valério é senador do AM pelo PSDB (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

As negociações sobre o futuro do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) estão avançadas, e duas possibilidades reais estão sendo consideradas: a fusão com o MDB ou com o PSD. No entanto, o único senador amazonense pela sigla, o parlamentar Plínio Valério, não acredita que este seja o fim do partido com mais de três décadas de história.

O que rege o discurso do fim do PSDB é a sua queda em resultados eleitorais e a troca de partido de alguns representantes a cada ano. Esse quadro se mostra presente em várias frentes legislativas e executivas. Os tucanos foram perdendo espaço a partir do momento em que se configuraram contrários ao governo, nos anos do PT no poder, principalmente no período em que Lula esteve na presidência.

Ao Panorama Real, o senador Plínio Valério afirma que não acredita no fim do partido, mesmo com o desaparecimento da sigla já esteja decretado para o próximo dia 05 de março.

‘Eu até agora me recuso a aceitar que o PSDB vai fazer fusão e desaparecer. Eu era o único senador do partido, mas outros dois se filiaram e deram um fortalecimento ao partido. Eu defendo, dentro da executiva, a não fusão, mas vamos ver o que acontece . O PSDB por toda a sua história, por tudo que fez, como a implementação do plano Real e dois presidentes da República, não pode sucumbir desse jeito. Nós ainda temos muito a colaborar”, declara o senador tucano.

“Crise da democracia”

Para o sociólogo e cientista político Luiz Carlos Marques, o fim do PSDB, um dos partidos mais influentes da história política brasileira, é reflexo de uma crise mais ampla que afeta a própria democracia no país.

“Nas últimas décadas, o Brasil tem testemunhado uma transformação no cenário político, onde as ideias e as ideologias parecem ter perdido força, dando lugar a uma nova dinâmica: a política da personalidade. Historicamente, o eleitorado brasileiro tem mostrado uma tendência de votar em pessoas, e não em partidos, e essa realidade se acentuou em um momento de crise, onde a desconfiança nas instituições e a busca por alternativas mais radicais se tornaram comuns”, avalia.

Segundo ele, a ascensão da extrema-direita no Brasil deixou partidos de centro, como o PSDB, em uma posição vulnerável. “Este partido, que um dia foi sinônimo de estabilidade e modernização, agora se vê encurralado em um ambiente político onde suas propostas e valores não ressoam mais com a população. A ideia de uma política que deve ser vivida, e não apenas usada como meio de ascensão ao poder, parece ter se perdido, levando à desilusão de muitos eleitores”, destaca o analista político.

Arthur Neto e seu filho Arthur Bisneto comandaram o PSDB no AM (Foto: Instagram)

Sem ideologia consolidada

Ainda conforme Luiz Carlos Marques, o PSDB – partido que, historicamente, sempre flertou com as diversas correntes do pensamento político -, nunca foi ideologicamente consolidado. Sua busca por um espaço no espectro político, em várias ocasiões, o levou a se adaptar às circunstâncias, resultando em uma identidade nebulosa.

Com a polarização crescente no Brasil, essa falta de clareza ideológica se tornou um fardo. Políticos que outrora se posicionavam como centristas agora se veem forçados a assumir uma postura mais à direita, em uma tentativa de se alinhar com as tendências atuais.

“Essa mudança não é apenas uma questão de estratégia eleitoral, mas também uma revelação da verdadeira face do partido e de seus membros. O PSDB, ao buscar refúgio em ideais reacionários no campo cultural, político e social, traiu suas origens de centro-esquerda e se afastou de sua base histórica. Essa metamorfose, longe de fortalecer o partido, apenas contribuiu para sua marginalização no cenário político contemporâneo. O fim da sigla não se dá apenas por suas falhas internas, mas também pelo surgimento de novas coalizões que buscam preencher o vazio deixado por partidos tradicionais. Nesse contexto, o PSDB se torna um símbolo de um tempo que já passou, um resquício de uma era em que os partidos ainda tinham a capacidade de influenciar o eleitorado de forma significativa. O partido cumpriu seu papel em um momento da história brasileira, mas agora se vê diante de um futuro incerto, onde a competição por poder se transforma em uma luta pela sobrevivência”, destaca.

História
PSDB já teve nomes como Geraldo Alckmin, Mário Covas, FHC e Franco Montoro (Foto: Reprodução/Site do PSDB)

O PSDB foi fundado em em 25 de junho de 1988, com o princípio de prosseguir na luta por mudanças sociais e políticas. Então formado por 40 deputados e oito senadores, o PSDB começava a sua história.

Durante as três décadas, o partido conseguiu formar dois presidentes, entre eles o Fernando Henrique Cardoso, um dos fundadores do partido. Em 1992, a sigla conseguiu vitória mais expressiva, ao eleger 332 prefeitos, dentre os quais cinco em capitais.

Em 1994, além de ter o seu candidato a presidente eleito, o partido dos tucanos elegeu seis governadores, 11 senadores, 63 deputados federais e mais de 90 deputados estaduais pelo país. Foi o melhor resultado da história do PSDB, que obteve a maioridade eleitoral. No Amazonas, um dos grandes nomes do partido foi Arthur Virgílio Neto.

As esperanças tucanas de reconquista da presidência nas eleições gerais de 2006 foram novamente acesas com a repercussão do chamado escândalo do “mensalão”, iniciado no primeiro semestre de 2005, a partir de denúncias de um suposto esquema de compra de votos de parlamentares da base aliada ao governo Lula, por parte do PT.

A candidatura do então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, já praticamente definida, passou a ser questionada em virtude do que se avaliava então como novas condições de disputa ocasionadas pelo escândalo. Já José Serra manteve para o PSDB o controle do governo paulista, o mesmo sucedendo com Aécio Neves em Minas Gerais e Cássio Cunha Lima, na Paraíba. 

A campanha eleitoral de 2014 não foi menos conturbada do que aqueles períodos que a antecederam, e contou inclusive com o óbito de um dos principais postulantes ao cargo de presidente, Eduardo Campos, e, por conseguinte, sua substituição pela candidata Marina Silva. Em disputa acirrada e decidida em segundo turno, os tucanos receberam o apoio da maioria dos demais candidatos, mas foram mais uma vez derrotados e a mandatária Dilma Rousseff foi reeleita com 51,6% dos votos válidos.

Apoios e oposição

Ao longo da história, o PSDB deu apoio aos ex-presidentes Itamar Franco e Michel Temer e fez oposição aos ex-presidentes Fernando Collor, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. No início, o PSDB deu apoio e participou da base do governo da extrema-direita de Jair Bolsonaro, porém, em seguida, entrou para a oposição em setembro de 2021.

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