Assessor do desembargador Elci Simões teme ser morto e pede para fazer delação premiada

Ricardo Campelo pediu proteção à Justiça (Foto: Reprodução)

Ricardo de Almeida Campelo – assessor do desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), Elci Simões de Oliveira, que foi afastado por suspeita de favorecimento em uma decisão que concedeu R$ 150 milhões a um credor da Eletrobras -, disse temer pela própria vida e pede proteção às autoridades para fazer delação premiada. A declaração foi dada por ele por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais.

“Sou assessor do gabinete do desembargador Elci Simões. Também trabalho com o filho dele. E, de hoje em diante, eu temo pela minha vida… Se acontecer algo comigo, se eu for morto, a grande responsabilidade é deles. Nunca fiz mal a ninguém e estou sendo perseguido”, disse ele.

Ricardo foi preso no mesmo dia em que o desembargador Elci Simões foi afastado do cargo. No entanto, a prisão estaria ligada a um suposto esquema de propina. O assessor é suspeito de furtar R$ 50 mil que pertenciam ao filho do magistrado para pagar dívidas. Os fatos teriam acontecido entre novembro e dezembro do ano passado.

O ex-assessor solicitou proteção da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF). Ele justificou que quer garantir sua segurança e diz estar disposto a colaborar.

Sumiço do dinheiro

Segundo a denúncia, Ricardo recebeu os R$ 50 mil das mãos do filho desembargador, que pediu para o assessor guardar o dinheiro porque faria uma viagem e não tinha confiança na sua própria “doméstica” – que ficaria na casa enquanto ele estivesse fora.

Um Boletim de Ocorrência (BO) registrado no dia 1º de dezembro de 2024 informa o arrombamento do imóvel onde Ricardo morava com os pais no conjunto Tiradentes, bairro Aleixo, zona Centro-Sul, e o furto da quantia em dinheiro, além de joias, perfumes e notebook.

Segundo a polícia, Ricardo apresentou cadeados cortados que eram usados apenas na área externa da casa, mas não havia sinal de arrombamento em outros cômodos. Diante da suspeita, a partir da quebra de sigilo telefônico e do aprofundamento no caso, a polícia descobriu que Ricardo usou parte do valor para quitar dívidas.

As investigações foram conduzidas pelo delegado titular do 1º Distrito Integrado de Polícia, Cícero Túlio. Elci Simões não teria acreditado na versão do assessor e pediu a prisão dele.

A reportagem pediu nota do TJAM sobre esse novo desdobramento envolvendo o desembargador Elci Simões, mas não recebeu resposta até a publicação dessa matéria.

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