Seca fica mais branda neste ano e AM passa a sofrer com a cheia dos rios

Após forte estiagem no ano passado, rios voltaram a subir em 2025 (Foto: Divulgação/Secom)

Considerada como uma das maiores preocupações da região, principalmente para a economia, a seca “deu uma trégua” e apresentou recuo, neste ano, no Amazonas, de acordo com a Agência Nacional de Águas e Saneamentos Básico (ANA). Conforme o monitor da ANA, devido à melhora nos indicadores, a estiagem diminuiu em quase todo o território amazonense em 2025, principalmente nos municípios situados na área central do Estado.

“No Amazonas, devido à melhora nos indicadores, houve o recuo da seca grave no centro, da moderada no sudoeste, e da fraca no sul e leste. Os impactos são de curto prazo no noroeste, e de longo prazo no restante do Estado”, afirma o registro mais recente sobre a situação da seca no Brasil da ANA, elaborado em março deste ano, mas divulgado somente agora no mês de abril.

A situação do Amazonas é uma tendência que foi verificada em outros Estados da região Norte, onde a seca foi mais branda do que o esperado para este ano. Para o monitor da ANA, a melhora se deu em função da continuidade das chuvas acima da média.

Segundo a agência, o destaque ficou por conta da estiagem no centro do Amazonas e da seca fraca no Acre e Rondônia, que ficaram parcialmente livres do fenômeno. Além disso, em fevereiro e março, o Amapá e o Pará ficaram livres da seca, destacou a ANA.

Na semana passada, o Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), foi convidado pela ANA a ser um dos autores do traçado de mapas do Monitor de Secas do Brasil. Essa ferramenta é um processo de acompanhamento regular e periódico da situação da seca no Brasil, cujos resultados consolidados são divulgados por meio de mapeamento mensal. O mapa apresenta a situação de seca nos Estados no mês anterior, além das áreas que ficaram livres do fenômeno.

Cheia se torna o problema

Enquanto o Amazonas se livra temporariamente da seca, por outro lado, o Estado começa a sofrer com a cheia dos rios.

De acordo com dados do boletim mais recente do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais, que foi divulgado nesta terça-feira (29/04), até o momento, 36 mil famílias foram afetadas pelas enchentes em todo o território amazonense, o equivalente a quase 144 mil pessoas impactadas diretamente. Segundo o Governo do Estado, as nove calhas de rios do Amazonas seguem em processo de cheia, com picos variados previstos entre março e julho.

Para amenizar os efeitos das cheias, o Governo do Estado, desde meados de abril, já enviou 200 toneladas em cestas básicas, 600 caixas d’água de 500 litros, 46,5 mil copos de água potável da Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama), além de seis kits purificadores do programa Água Boa. Esse material atende a população afetada nos municípios de Humaitá, Manicoré, Apuí e Boca do Acre.

De acordo com os decretos já publicados, dos 62 municípios amazonenses, 13 estão em Situação de Emergência, 13 em Alerta e 36 em Atenção. Em relação ao último boletim, Atalaia do Norte saiu de Alerta e entrou em Situação de Emergência. 

Ajuda humanitária é distribuída no interior do Estado (Foto: Divulgação/Defesa Civil)
Defesa Civil se prepara para dois cenários

De acordo com o secretário estadual de Defesa Civil, coronel Francisco Máximo, o Amazonas, neste ano, deverá sofrer tanto com a cheia quanto com a seca. Segundo ele, o Governo do Estado está preparado para os dois cenários.

“Entendemos que, para este ano, teremos os dois cenários de recorrências de desastres que ocorrem com mais frequência em nosso Estado, de inundação e de estiagem. Estamos agora no período do inverno amazônico. Naturalmente, neste período, em função da subida dos rios, podemos ter o desastre da inundação. Após passar o inverno amazônico e, naturalmente, entrar no período da vazante, deveremos ter uma estiagem que deverá atingir entre 17 e 20 municípios no Estado. Portanto, a previsão é de que teremos tanto cheia quanto seca de intensidade fraca a moderada”, disse o coronel Máximo.

Seca no Brasil

No âmbito geral no Brasil, no período entre fevereiro e março deste ano, os Estados da Bahia, Paraná e Santa Catarina registraram aumento da área sem chuvas. No Acre, Amazonas, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Piauí, Rondônia, Roraima e Tocantins houve diminuição da área sob estiagem.

A situação permaneceu estável em 11 Estados e no Distrito Federal: Alagoas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe. Entre fevereiro e março, o Amapá seguiu sem seca e o Pará ficou livre do fenômeno em março de 2025. 

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