PC desarticula grupo criminoso que cometia exploração e maus-tratos de animais silvestres no interior do AM

Sete animais foram resgatados, entre eles três preguiças, duas macacas, uma arara e uma cobra

Macaca foi resgatada na operação policial (Foto: Erlon Rodrigues/PC-AM)

Um homem de 22 anos identificado como Bruno Batata foi preso e três adolescentes foram apreendidos, na última sexta-feira (09/05), acusados de integrar um grupo criminoso que cometia exploração e maus-tratos de animais silvestre no município de Iranduba (a 27 quilômetros de Manaus). De acordo com a Polícia Civil (PC-AM), que divulgou a informações somente neste sábado (10/05), a quadrilha foi desbaratada no âmbito da operação “Anhangá”.

Segundo os policiais, sete animais foram resgatados durante a ação: três preguiças, duas macacas, uma arara e uma cobra. Segundo a PC-AM, eles estavam com sinais de maus-tratos. “A operação ‘Anhangá’ teve como objetivo coibir abusos contra animais silvestres utilizados irregularmente em atividades turísticas no Estado. Os animais estavam desidratados, alguns mutilados, em situação degradante. No momento da abordagem, os turistas presentes elogiaram a atuação da polícia ao constatar o estado cruel em que os animais se encontravam”, disse o delegado-geral da PC-AM, Bruno Fraga.

Investigação

De acordo com a delegada Juliana Viga, titular da Delegacia Especializada em Crimes contra o Meio Ambiente e Urbanismo (Dema), a operação teve início após o recebimento de uma denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), que detalhou a situação.

A partir daí, a equipe aprofundou as investigações e identificou um grupo criminoso que maltratava os animais e cobrava em torno de R$ 20 para que turistas tirassem fotos com eles.

“Durante a apuração, ouvimos testemunhas para entender o modo de operação do grupo. Descobrimos que contavam com informantes para alertar caso a polícia se aproximasse. A partir dessas informações, montamos a operação com apoio do Core (Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais), do Instituto de Criminalística e da Delegacia Fluvial (Deflu)”, explicou a delegada.

Segundo a delegada, a ação foi realizada em duas etapas: um primeiro grupo infiltrado como turistas foi ao local e identificou os envolvidos. Ao perceberem a abordagem, alguns suspeitos tentaram fugir – dois deles escaparam pulando no rio -, mas os demais foram capturados e levados à delegacia para os procedimentos legais.

“Os animais receberam atendimento da Comissão de Proteção aos Animais e foram levados em ambulância a uma clínica veterinária, onde foram medicados. Todos estavam abaixo do peso e desidratados. Eles passaram por exames toxicológicos e aguardamos o laudo pericial para avaliar melhor seu estado de saúde”, concluiu a delegada.

Apoio Operacional

O delegado Juan Valério, coordenador da Core-AM, explicou que a equipe da coordenadoria prestou todo o apoio operacional necessário para o sucesso da ação. Devido ao constante movimento de turistas, os cuidados precisam ser redobrados. Além disso, os animais que estavam sendo vítimas de maus-tratos precisavam ser resgatados com segurança.

“Nos causou muito espanto a articulação que o grupo criminoso possuía. Em diversos locais, eles contavam com olheiros, pessoas responsáveis por avisar quando alguém estranho se aproximava, porque eles têm plena consciência de que estão cometendo crimes. Mas com sucesso capturamos os autores”, destacou o delegado.

Procedimentos

Bruno Barata foi autuado por maus-tratos a animais, guarda ilegal de espécies silvestres e associação criminosa, e corrupção de menores ele será submetido à audiência de custódia e ficará à disposição da Justiça. Já os adolescentes responderão por ato infracional análogo aos mesmos crimes e ficarão à disposição do juizado infracional.

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