Em ato de perseguição e xenofobia, Trump proíbe Harvard de matricular estudantes estrangeiros

Kristi Noem é secretária de Segurança Interna no governo de extrema-direita de Trump (Foto: Reprodução TV)

Em um ato de perseguição e xenofobia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, nesta quinta-feira (22/05), que seu governo proibiu a Universidade de Harvard de matricular estudantes estrangeiros sob a alegação de que esses alunos promovem “violência”. A proibição tem efeito imediato.

Com essa decisão, os estudantes estrangeiros que já estudam em Harvard precisarão se transferir ou perderão seu status legal no país. A medida extremista deve atingir 6.793 alunos de outros países que estudam na instituição de ensino, número que representa, 27,2% das 24.596 pessoas que formam o corpo discente de Harvard.

A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, escreveu na rede social X que o governo revogou a “certificação do Programa de Estudantes e Visitantes de Intercâmbio devido a falhas (de Harvard) em cumprir a lei”. Ela ainda ameaçou as demais universidades. “Que isso (a proibição a Harvard) sirva de aviso a todas as universidades e instituições acadêmicas do país”, acrescentou.

Em um comunicado oficial, Harvard classificou a decisão do governo Trump como “ilegal”. “Estamos totalmente comprometidos em manter a capacidade de Harvard de receber nossos estudantes e acadêmicos internacionais, que vêm de mais de 140 países e enriquecem a universidade – e esta nação -, imensamente”, afirmou a instituição.

Perseguição contra apoiadores da Palestina

A decisão de Trump de proibir estudantes estrangeiros em Harvard foi adotada após as universidades norte-americanas terem testemunhado grandes protestos contra o genocídio em curso na Palestina. A limpeza étnica praticada por Israel contra o povo palestino é patrocinada pelo governo dos Estados Unidos, que tem se sentido incomodado com as manifestações de apoio à Palestina.

Trump alega que a oposição ao genocídio é um ato de “antissemitismo”, uma referência ao fato de que os assassinos do povo palestino são judeus sionistas. Trump também ameaçou revogar a isenção fiscal da universidade e congelar bilhões de dólares em subsídios governamentais.

Por sua vez, Harvard afirmou anteriormente que já tomou diversas medidas para combater o “antissemitismo” e que as exigências visam controlar as “condições intelectuais” da universidade.

Medidas extremistas

Entre as exigências impostas pelo governo Trump para permitir a matrícula de estrangeiros, Harvard deverá permitir o o acesso a registros disciplinares de estudantes norte-americanos matriculados em Harvard nos últimos cinco anos. Também foi exigida a entrega de todos os registros, vídeos e áudios de atividades “ilegais” e “perigosas ou violentas” no campus, incluindo com a participação de estudantes norte-americanos, num ato que revela a intenção do governo Trump de perseguir esses alunos.

A notificação deu a Harvard 72 horas para atender à solicitação do Departamento de Segurança Interna. A Universidade de Harvard afirmou que irá recorrer à Justiça contra essas medidas “ilegais”.

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