Omar Aziz cobra solução do Governo para a BR-319: ‘Quero resolutividade, não discurso!’

Omar Aziz tem defendido a revitalização da BR-319 no Senado (Foto: Ariel Costa)

O Senado Federal foi palco, nesta terça-feira (27/05), de um acalorado debate entre senadores e a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva por conta de divergências sobre a atual política ambiental do Governo Federal em relação a região Norte. A tensão foi tão grande que Marina não aguentou a pressão e decidiu abandonar a audiência pública que era realizada no seio da Comissão de Infraestrutura da Casa.

A ministra compareceu ao Senado após ser convidada, a partir de requerimento do senador Lucas Barreto (PSD-AP), para discutir a proposta de criação de uma unidade de conservação marinha na região da Margem Equatorial no Amapá.

O clima esquentou quando o senador Omar Aziz (PSD-AM) questionou Marina sobre o licenciamento do asfaltamento do trecho da rodovia BR-319, que liga Manaus a Porto Velho. Na ocasião, o parlamentar cobrou uma solução por parte do Governo Federal para a obra, classificando como “inadmissível que o povo do Amazonas continue prejudicado pela falta de infraestrutura na região”.

“Não é conversa fiada, não é discursinho. Se Brasília tivesse que ser construída hoje, o Juscelino Kubitschek levaria 100 anos, coisa que ele fez em cinco, porque, se um calango estivesse lá, o Ibama não permitiria. O Lago Paranoá não existiria, Camboriú não existiria, Ipanema não existiria, Copacabana não existiria. E nós é que temos que pagar essa conta?”, questionou Omar Aziz.

O senador afirmou ainda que os amazonenses têm o direito de trafegar pela BR-319, refutando a ideia de que a estrada deva permanecer sem a devida manutenção por questões ambientais. “Nós temos o direito de passear na 319. A senhora passeia na Avenida Paulista hoje. Nós queremos passear na 319”, afirmou Omar, referindo-se a uma fala de Marina Silva na qual a ministra disse que asfaltar a BR-319 serviria apenas “para passear de carro”.

Falta de oxigênio

Em outro momento do debate, Omar Aziz lembrou que devido a ausência de uma estrada que liga o Amazonas ao resto do País, a população do Estado sofreu na pandemia da covid-19 por falta de oxigênio.

“Eu vi 15 mil pessoas morrerem na cidade de Manaus por falta de oxigênio, porque a BR-319 não estava asfaltada e era época de inverno, ministra. Meu irmão morreu por falta de oxigênio, amigos meus morreram por falta de oxigênio, porque não tinha uma estrada para levar oxigênio. A senhora quer que eu fique passivo a tudo isso?”, desabafou o parlamentar.

Pavimentação da BR-319

O senador Omar Aziz também destacou que o Senado votou e aprovou com ampla maioria na semana passada a Lei Geral do Licenciamento Ambiental (PL 2.159/2021). Ele defendeu a rapidez no andamento das atividades e empreendimentos, como a pavimentação da rodovia BR-319 (Manaus-Porto Velho).

Para o senador, a pavimentação da BR-319 é essencial para as populações locais, que precisam ter melhor condições de vida e de prosperidade. Em clima tenso e com bate boca, Omar Aziz afirmou que a ministra “está atrapalhando o desenvolvimento do país”.

Marina se defende
Marina Silva se retirou de debate no Senado (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Por sua vez, Marina Silva respondeu que é posta como “bode expiatório” no caso da pavimentação da BR-319. Ela lembrou que desde 2008, quando deixou o governo Luiz Inácio Lula da Silva, a obra não foi executada por qualquer governo.

Marina Silva defendeu a governança sobre essa pavimentação, “com avaliação ambiental estratégica”, principalmente por haver aumento, segundo a ministra, de ações de desmatamento e de grilagem por conta da notícia da obra.

Ministra se retira da audiência

Durante o debate na Comissão de Infraestrutura do Senado, Marina Silva teve um desentendimento com o senador Plínio Valério (PSDB-AM) que levou a ministra a se retirar da audiência. Ela queria que o parlamentar amazonense se desculpasse por uma fala em que ele disse que “a mulher merece respeito, a ministra não”.

Neste momento, Marina Silva exigiu um pedido de desculpas e, como não foi atendida, retirou-se da audiência. Ela lembrou ainda que o senador, em outra ocasião, chegou a falar em “enforcá-la”.

“Sou ministra de Meio Ambiente, foi nessa condição que eu fui convidada e ouvir um senador dizer que não me respeita como ministra, eu não poderia ter outra atitude”, disse Marina Silva.

Para o senador Rogério Carvalho (PT-SE), a fala de Plínio Valério não cabe num debate institucional. “O debate político pode ser caloroso, pode expressar as divergências, os pontos de vista, mas manifestação de desrespeito é inaceitável”, afirmou.

Anteriormente, a ministra já havia se desentendido com outros senadores. Ao presidente da CI, senador Marcos Rogério (PL-RO), ela disse que não é “uma mulher submissa”. Na sequência, ele a mandou se “pôr no seu lugar”.

Com informações da Agência Senado

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