Israel começa a deportar ativistas da Flotilha da Liberdade detidos em águas internacionais; Greta Thunberg deixou o país

O Itamaraty confirmou, na noite desta segunda (09/06), a chegada do brasileiro Thiago Ávila ao aeroporto de Tel Aviv

Greta Thunberg era uma das ativistas que estavam na Flotilha da Liberdade atacada por Israel (Foto: Divulgação)

Brasil de Fato – Israel começou a deportar, nesta terça-feira (10/06), os ativistas da Flotilha da Liberdade detidos em águas internacionais ao tentar levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza.

Entre os militantes que serão repatriados estão a ativista sueca Greta Thunberg, que já deixou o país, e o brasileiro Thiago Ávila. O Itamaraty confirmou, na noite de segunda-feira (09/06), que Ávila chegou ao aeroporto de Tel Aviv e que funcionários da Embaixada do Brasil acompanham o caso de perto para assegurar o respeito aos direitos do ativista durante o processo de repatriação.

O veleiro Madleen havia partido da Itália em 1º de junho com 12 ativistas de diferentes países — incluindo Brasil, França, Suécia, Alemanha, Espanha, Turquia e Países Baixos — com o objetivo de romper o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza. A embarcação foi sequestrada pela Marinha israelense, na noite de domingo (08/06), a aproximadamente 185 km da costa de Gaza.

Em entrevista ao Brasil de Fato, a historiadora Arlene Clemesha, especialista em história árabe, classificou como “sequestro ilegal” a interceptação do barco.

“Eles foram ilegalmente sequestrados em águas internacionais. O cerco à Faixa de Gaza em si é ilegal. As declarações do governo israelense são absolutamente irrelevantes, uma flagrante demonstração da sua total desconsideração por tudo que é ordem internacional”, afirmou a professora da Universidade de São Paulo (USP), em entrevista ao programa Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, nesta segunda.

Protestos

A repressão à missão humanitária gerou uma série de protestos nesta segunda-feira, em diversas partes do mundo. No Brasil, os manifestantes se reuniram em frente ao Palácio do Planalto. Além de reivindicar a libertação dos ativistas, o protesto também exigiu cessar-fogo e o rompimento imediato das relações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Israel.

Ato em Brasília em apoio à Flotilha da Liberdade (Foto: Camila Araujo)

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a população palestina enfrenta bombardeios diários, deslocamento forçado e risco iminente de fome devido ao bloqueio imposto pelo governo israelense. Mais de 54.700 palestinos, a maioria civis, morreram vítimas dos ataques de Israel, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, considerados confiáveis ​​pela ONU.

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