Israel é responsável por mais de 70% das crianças mortas e mutiladas em conflitos armados em 2024, diz ONU

Crianças são as maiores vítimas do genocídio cometido por Israel na Faixa de Gaza (Foto: Reprodução TV)

O regime terrorista de Israel é responsável por mais de 70% das crianças mortas e mutiladas em conflitos armados em 2024, de acordo com um relatório divulgado, na última quinta-feira (19/06), pela Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo dados do documento, no ano passado, a violência contra crianças em zonas de guerra atingiu níveis sem precedentes, com aumento de 25% do número de violações graves em comparação a 2023, principalmente por causa dos ataques israelenses no Líbano e na Faixa de Gaza, na Palestina Ocupada. 

Conforme o estudo da ONU, o maior número de violações graves foi verificado nos territórios palestinos ocupados por Israel, especialmente na Faixa de Gaza, que sofre, desde outubro de 2023, com os ataques massivos do regime genocida comandado por Benjamin Netanyahu. Ao todo, Israel é responsável por 8.554 casos de morte e mutilação infantil registrados no ano passado, representando 71,4% das 11.967 crianças que foram mortas e mutiladas em 2024.

As agressões israelenses são mais do que o dobro das registradas na República Democrática do Congo, que ficou em segundo lugar na lista, com 4.043 casos. Em seguida vem Somália, com 2.568 crianças mortas e mutiladas; Nigéria (2.436) e Haiti (2.269).

Segundo o relatório anual da ONU sobre crianças e conflitos armados, em 2024, foram registrados 4.676 assassinatos e 7.291 mutilações, vitimando 11.967 crianças. A negação do acesso humanitário, com 7.906 incidentes, o recrutamento e uso de crianças (7.402) e o sequestro de menores de idade (4.573) também apresentaram números extremamente preocupantes.

“Crianças foram mortas e mutiladas, muitas vezes resultando em incapacidades permanentes, em números alarmantes, pelo uso de munições explosivas, incluindo resíduos explosivos de guerra, minas e dispositivos explosivos improvisados, e pelo fogo cruzado entre as partes em conflito. Ataques a instalações civis, incluindo escolas e hospitais, aumentaram drasticamente a vulnerabilidade das crianças”, diz o relatório. Apesar de grupos armados não estatais terem sido responsáveis por quase 50% das violações, as forças governamentais foram as principais perpetradoras da morte e mutilação de crianças, de ataques a escolas e hospitais e da negação de acesso humanitário.

Já os maiores aumentos percentuais no número de violações foram verificados no Líbano (545%), Moçambique (525%), Haiti (490%), Etiópia (235%) e Ucrânia (105%).

Violência sexual

Segundo a ONU, o número de casos de violência sexual cresceu 35%, com registro de um “aumento drástico” dos casos de estupro coletivo, o que destaca o uso sistemático da violência sexual como tática deliberada de guerra, enquanto crianças eram associadas a partes em conflito ou para aumentar o controle territorial, deslocar populações e atacar a etnia ou o gênero específico das crianças, entre outros objetivos, diz o relatório.

O documento relata que meninas foram sequestradas para fins de recrutamento e uso, e para escravidão sexual.

“A violência sexual continua sendo amplamente subnotificada devido à estigmatização, ao medo de represálias, às normas sociais prejudiciais, à ausência ou à falta de acesso a serviços, à impunidade e a preocupações com a segurança, conforme relatado em meu relatório sobre violência sexual relacionada a conflitos.”

Negação humanitária

A negação do acesso humanitário atingiu “escala alarmante”, informa a ONU, com mais trabalhadores humanitários mortos em 2024 do que nunca, incluindo muitos funcionários da própria organização.

“As partes em conflito atacaram comboios e pessoal de ajuda humanitária, detiveram arbitrariamente pessoal humanitário, restringiram atividades e movimentos humanitários, adotaram barreiras burocráticas e administrativas e interferiram em operações humanitárias, resultando em crianças sem acesso a cuidados de saúde, educação, proteção e necessidades vitais”, diz o relatório.

Ajuda humanitária tem sido negada à população palestina (Foto: UN)
Palestina e Israel

A ONU verificou 8.554 violações graves cometidas por Israel contra 2.959, com maioria esmagadora de palestinas e apenas 15 de nacionalidade israelense.

Nos territórios palestinos ocupados, incluindo Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Faixa de Gaza, foram 8.544 violações, sendo 4.856 na Faixa de Gaza, que sofre uma campanha de genocídio por parte de Israel.

“Além disso, as Nações Unidas receberam relatos do assassinato de 4.470 crianças na Faixa de Gaza em 2024, que aguardam verificação. Violações graves verificadas foram atribuídas às forças armadas e de segurança israelenses (7.188), perpetradores não identificados (43), colonos israelenses (42), perpetradores palestinos individuais (11), forças de segurança da Autoridade Palestina (7), Hezbollah (3) e Forças Armadas da República Islâmica do Irã (1)”, acrescenta o relatório.

As Nações Unidas também verificaram a detenção de 951 crianças palestinas (940 meninos, 11 meninas) por supostas infrações à segurança cometidas pelas forças armadas e de segurança israelenses na Cisjordânia (602), em Jerusalém Oriental (259) e na Faixa de Gaza (90), incluindo a detenção pelas forças armadas e de segurança israelenses de uma menina palestina cujo paradeiro permanece desconhecido.

Um total de 1.561 crianças palestinas (1.131 meninos e 430 meninas) foram confirmadas como mutiladas na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental (620) e na Faixa de Gaza (941).

Com informações da Agência Brasil

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