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Líderes europeus ignoram ataque estadunidense e exigem que o Irã volte à mesa de negociações sobre acordo nuclear

Brasil de Fato – O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, rechaçou as afirmações de líderes europeus que acusam o país de ter deixado a mesa de negociações por uma acordo sobre o uso de energia nuclear.
Araqchi ressaltou que foram os ataques, primeiro de Israel e agora dos Estados Unidos que arruinaram a diplomacia e as negociações. “Na semana passada, estávamos em negociações com os EUA quando Israel decidiu destruir essa diplomacia”, publicou Araqchi em sua conta no X, neste domingo (22/06).
“Os EUA decidiram acabar com essa diplomacia. Que conclusão você tiraria? Para o Reino Unido e o Alto Representante da UE, é o Irã que deve ‘retornar’ à mesa. Mas como o Irã pode retornar a algo que nunca deixou, muito menos explodiu?”, questionou.
O conflito entre Irã e Israel chega ao 10º dia. Neste sábado (21/06), um ataque dos EUA a três instalações nucleares no país: Fordow, Natanz e Esfahan provocou uma nova escalada no conflito.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o ataque em sua rede Truth Social e depois fez um pronunciamento televisionado. “Trabalhamos para apagar, eliminar. Essa foi a defesa de milhares de pessoas que estão no Oriente Médio e no mundo todo. Ou haverá paz, ou haverá tragédia para o Irã”.
A assessoria de assuntos estratégicos do Parlamento do país persa afirmou que o ataque era esperado. “Do ponto de vista do Irã, nada de extraordinário aconteceu. O Irã já esperava um ataque a Fordow há várias noites. O local já foi evacuado há muito tempo e não sofreu danos irreparáveis no ataque”, afirmou a nota.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que não há registros de aumento em níveis de radiação após os ataques, o que indica que não houve vazamento nos locais atacados.
O premiê britânico, Keir Starmer, defendeu a ação dos EUA e acusou o Irã de abandonar às negociações. “O Irã jamais poderá desenvolver uma arma nuclear, e os EUA tomaram medidas para mitigar essa ameaça. A situação no Oriente Médio permanece volátil e a estabilidade na região é uma prioridade. Apelamos ao Irã para que retorne à mesa de negociações”, afirmou.
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, ignorou a ação dos EUA e afirmou que uma solução duradoura “requer uma solução negociada no âmbito do Tratado de Não Proliferação Nuclear”. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, parabenizou Trump e disse que ação “mudará a história”.
Já o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, afirmou que os ataques dos Estados Unidos contra o Irã representam uma “escalada perigosa em uma região que já está no limite e uma ameaça direta à paz e à segurança internacional”.
Os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, de Cuba, Miguel Díaz-Canel, e da Venezuela, Nicolás Maduro, condenaram o ataque dos Estados Unidos.
“Este ato incendeia o Oriente Médio. Temos que exigir, como seres humanos, cara a cara e sem abaixar a cabeça, exigimos a paz mundial”, afirmou Petro. A chancelaria colombiana também emitiu nota ressaltando que o ataque desrespeita normas internacionais.
O chanceler venezuelano Yván Gil afirmou que o país “condena a agressão militar dos EUA contra o Irã e exige a cessação imediata das hostilidades”.
Em publicação na rede social X, Díaz-Canel condenou “energicamente o bombardeio dos EUA contra instalações nucleares do Irã”. “A agressão constitui uma grave violação da Carta da ONU e do direito internacional e mergulha a humanidade em uma crise de consequências irreversíveis”, completou.