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Além dos temas políticos nacionais, os manifestantes manauaras também levaram às ruas algumas pautas internacionais como o genocídio em curso na Palestina e a interferências dos EUA no Brasil

Milhares de pessoas protestaram, neste domingo (21/09), em Manaus, em um ato contra o projeto de anistia aos golpistas do 8 de janeiro e a Proposta de Emenda à Constituição que blinda parlamentares de serem processados criminalmente na Justiça, a chamada PEC da Blindagem ou PEC da Bandidagem, como é denominada pela população.
Segundo estimativas de algumas entidades, o protesto atraiu quase 5 mil pessoas que compareceram ao centro da capital amazonense para participar da manifestação, que esteve em consonância com um movimento nacional realizado em outras cidades do país, como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. 
Além dos temas políticos nacionais, os manifestantes manauaras também levaram às ruas algumas pautas internacionais ao denunciarem o genocídio em curso dos povos nativos da Palestina – pedindo o fim da matança de civis e a criação de um Estado soberano palestino -, e ainda criticaram a intromissão dos Estados Unidos e do presidente Donald Trump nos assuntos internos do Brasil.

A estudante de Artes Visuais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Luana Reis, 22 anos, foi uma das pessoas que participaram da manifestação neste domingo. Segundo ela, o ato foi uma espécie de “grito” para pedir respeito ao Brasil.
“Hoje, participamos do protesto contra a PEC da Bandidagem e de uma possível anistia aos golpistas. Várias pessoas carregaram as bandeiras do Brasil e do Amazonas. Mas, também, teve apoio à Palestina, além de críticas ao imperialismo dos Estados Unidos e ao próprio Trump. Foi um ato que exigiu respeito ao povo e ao nosso País”, avaliou a universitária.
O protesto deste domingo (21/09), teve a participação da sociedade civil em geral, de movimentos sociais, partidos políticos, entidades indígenas, agremiações estudantis e de professores, além de sindicatos, como o dos Petroleiros.

O protesto deste domingo (21/09) teve início na avenida Getúlio Vargas, no Centro, e seguiu, depois, até a avenida Eduardo Ribeiro com a avenida Sete de Setembro, em frente à Igreja Matriz.
Manifestantes levaram vários cartazes contra a anistia aos golpistas e a PEC da Blindagem. Eles também ergueram bandeiras da Palestina em solidariedade ao povo palestino, que há mais de 77 anos sofre com uma campanha de extermínio por parte do regime sionista de Israel.
“O grito que ecoava hoje nas ruas do centro de Manaus era contra a anistia aos golpistas e a PEC da Bandidagem, mas, também, por uma Palestina livre e soberana. Houve uma ampla adesão e solidariedade à Causa Palestina”, afirmou a pedagoga Rita Vieira, 40 anos, que participou do ato neste domingo.

O texto da chamada PEC da Blindagem foi aprovado em dois turnos na Câmara e, agora, está no Senado, onde deverá ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa na próxima quarta-feira (24/09). O Senado Federal, por sua vez, deverá rejeitar a aprovação da PEC da Blindagem.
Na última quarta-feira (17/09), o senador Omar Aziz puxou uma “rebelião” contra a PEC, recebendo o apoio de vários líderes das demais bancadas do Senado. A decisão de pautar ou não a votação caberá ao presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA).
Por sua vez, a urgência da anistia foi aprovada, na última terça-feira (18/09), pelos deputados com o apoio da maioria dos líderes da Câmara. Com a urgência aprovada, o texto pode ser votado a qualquer momento no plenário da Casa.