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Iniciativa da Prefeitura de Manaus, por meio do Concultura, amplia diálogo cultural na Amazônia

A aldeia Cipiá – situada na margem esquerda do rio Negro, a 34 quilômetros da capital amazonense -, foi palco, na noite de terça-feira (23/09), de um momento de encanto e magia com o encontro entre a música erudita e a cultura indígena. O evento marcou o início do projeto “Orquestra na Floresta”, que é promovido pela Prefeitura de Manaus, por meio do Conselho Municipal de Cultura (Concultura)
A iniciativa permitiu que compositores famosos da música erudita mundial – como o alemão Johann Sebastian Bach -; e canções populares de sucesso como Brasileirinho – composta pelo músico brasileiro Waldir Azevedo -; fossem apresentados em uma aldeia indígena.
O intercâmbio artístico-cultural foi celebrado entre a recém-criada Orquestra de Câmara de Manaus e o grupo Cipiá, atraindo os amantes da música clássica e da cultura indígena, além de turistas, agentes culturais, jornalistas e o público em geral. A apresentação foi gratuita.
O concerto inédito foi aberto com o minueto Suíta Antiga, do compositor brasileiro Alberto Nepomuceno. Em seguida a orquestra tocou o primeiro movimento do Concerto em Sol Menor para piano, de Bach, além de duas músicas eruditas italianas Sole Mio e La Donna è Mobile, ambas interpretadas pelos tenores Miqueias Williams e Everaldo Barbosa. A apresentação foi finalizada com Brasileirinho. Por sua vez, os indígenas fizeram performances com instrumentos musicais e danças.
O maestro Hermes Coelho, 58 anos, que comandou a Orquestra de Câmara de Manaus, afirmou que foi a primeira vez que se apresentou em uma aldeia indígena. Ele destacou que foi tomado por uma “emoção indescritível”. “Nunca tinha passado por essa experiência. Era um sonho antigo de levar uma orquestra e tocar Bach em uma aldeia indígena”, contou o maestro, que é de São Paulo, mas mora há mais de 10 anos no Amazonas
Antes do início da apresentação, o pajé Domingos, da aldeia Cipiá, fez um discurso de boas-vindas aos visitantes da comunidade indígena. Ele falou que esse evento está dentro da política dos moradores da aldeia Cipiá de ampliar o turismo na localidade.
“Para nós, esse encontro entre essas duas grandes culturas é uma ampliação que estamos fazendo no etnoturismo. Estamos chegando no ponto que queremos chegar, representando todos os povos da Amazônia e do rio Negro”, declarou o pajé ao portal Panorama Real.
O presidente do Concultura, Tony Medeiros, destacou que o projeto “Orquestra na Floresta” tem relevância nacional, pois se trata de um contínuo diálogo entre a música clássica e a indígena.
“Este projeto é mais do que um concerto. Ele é a demonstração de que Manaus é uma cidade que respeita e valoriza sua diversidade cultural. Levar a orquestra até a floresta, para dialogar com os saberes indígenas, significa abrir novos caminhos de convivência, aprendizado e reconhecimento das nossas raízes. O Concultura tem esse compromisso de democratizar o acesso à arte e fortalecer a identidade cultural da nossa gente”, destacou o presidente do Concultura.

Visitantes que estiveram presentes na aldeia Cipiá, na noite de terça-feira (23/09), aprovaram o espetáculo que uniu a tradição indígena e a música erudita.
Foi o caso do bombeiro miliar Diogo Neves, 34 anos, e da professora de Yoga, Larissa Fernanda Maciel da Silva, 32 anos. O casal é de Minas Gerais e está há uma semana no Amazonas.
Eles aproveitaram a estadia em Manaus para assistir a apresentação da Orquestra de Câmara de Manaus com os indígenas da aldeia Cipiá. “Vimos pelo Instagram da aldeia Cipiá que iria ter o evento e nos inscrevemos. O mais legal é que é algo importante para eles (indígenas). Teve a questão da música clássica, mas teve também a cultura deles. Achamos que foi algo especial”, contou Larissa.
E de fato o evento foi grande importância simbólica para os moradores da aldeia Cipiá, como observou a mineira Larissa Fernanda. De acordo com o cacique Guy Dessano (Francis, no nome em português), 41 anos, que é filho do pajé Domingos, o projeto deverá estimular o turismo na comunidade, que é formada por 30 pessoas das etnias, Dessana, Tuyuca, Makuna e Kubeo.
“Esse evento é mais uma porta que se abre para podermos divulgar o turismo na aldeia. Foi gratificante demais. Uma experiência inesquecível. Esperamos que ocorra mais vezes”, afirmou o cacique Guy.
O contador José Orange Cabral da Costa, 67 anos, que é amazonense natural do município de São Sebastião do Uatumã (a 247 quilômetros de Manaus), afirmou que é a primeira vez que participa de um concerto que une música erudita com tradição indígena. “Sou do interior, mas nunca tinha visto uma celebração dessas. Foi uma experiência interessante”, disse.
O projeto

A “Orquestra na Floresta” é uma iniciativa da Prefeitura de Manaus, por meio do Concultura, que promove o intercâmbio artístico entre músicos da cidade e comunidades tradicionais da Amazônia.
Mais do que um concerto, o projeto nasce com a missão de aproximar públicos distintos, valorizar o patrimônio imaterial indígena e ampliar o acesso à música clássica em territórios onde esse gênero raramente chega. Essa fusão contribui para preservar tradições, estimular a criatividade e reafirmar a identidade cultural da Amazônia.
A ação também está alinhada às diretrizes do Concultura de democratização do acesso à arte, descentralização da política cultural e valorização da diversidade, consolidando Manaus como uma cidade de encontros e de respeito às suas múltiplas raízes.