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O cinegrafista amazonense Renato Belém Ramos, 38 anos, decidiu trocar a câmera pelas armas e deverá embarcar junto com outros nove brasileiros, nesta segunda-feira (29/09), à Ucrânia, para lutar como mercenários na guerra contra a Rússia. A informação é do portal BNC Amazonas, site local onde o profissional de imagens já trabalhou.
Ele também atuou em veículos de comunicação como TV Amazonas/Globo, TV Norte/SBT e A Crítica. Pai de dois filhos – uma menina de 12 anos e um rapaz de 19 anos -, agora o amazonense deixou de lado a atividade de cinegrafista para lutar como mercenário no exército Volodymyr Zelensky contra a Rússia.
A exemplo do que ocorre com outros brasileiros que já lutaram em solo ucraniano, Renato Belém foi recrutado pelas redes sociais e se alistou na Legião Internacional de Defesa Territorial da Ucrânia.
Conforme o site BNC Amazonas, o cinegrafista tentava há mais de um ano viajar para o país europeu. Segundo o portal, ele esperava embarcar em fevereiro deste ano, porém, não obteve sucesso. Contudo, a convocação aconteceu na semana passada e os mercenários deverão partir de Salvador para a Europa.
Ao portal BNC Amazonas, Renato Belém afirmou que decidiu lutar na Ucrânia tanto por questões ideológicas quanto por motivações financeiras. O cinegrafista revelou que poderá ganhar um salário bruto de até 18 mil UAH (Hryvna ucraniano). “Dependendo de missão, se tu vai para alguma missão, tu já ganha o dobro disso. Cada missão é paga e o pagamento é maior do que o salário”, declarou.
Segundo o BNC Amazonas, Renato Belém foi militar do Exército Brasileiro pelo serviço obrigatório e ainda serviu em missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, em 2008. Em seu perfil no Instagram, ele se descreve como cristão, membro da Igreja Pentecostal Aliança com Cristo. Além de conteúdo religioso, suas postagens nas redes sociais mesclam trabalho profissional com imagens da guerra na Ucrânia.
Desde o início do conflito, milhares de estrangeiros se cadastraram com facilidade para integrar o exército ucraniano. Ao chegar, no entanto, enfrentam uma realidade dura e traumática.
De acordo com o Itamaraty, até o ultimo mês de julho deste ano, nove brasileiros já morreram em combate na Ucrânia, e outros 17 estão desaparecidos.
Um ataque com duração de 12 horas realizado pela Rússia contra Kiev deixou ao menos quatro mortos e dezenas de feridos na madrugada do domingo (28/09). O Ministério da Defesa russo confirmou a ação e declarou que o objetivo era atingir campos de aviação militar e outras instalações ucranianas.
Os ataques acontecem em um momento chave para as relações entre Ucrânia e Rússia, e um aumento de tensões entre Estados Unidos e o Kremlin por conta de reiteradas acusações de ações com drones.
Na última terça-feira (23/09), o presidente estadunidense Donald Trump disse que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) deveria derrubar aeronaves russas que estiverem em seu espaço aéreo. A declaração aconteceu em uma reunião com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
No último sábado (27/09), o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, discursou na ONU, negou ataques com drones e saiu em defesa da soberania de seu país. “A Rússia foi praticamente acusada de planejar um ataque contra países da Otan e da União Europeia. A Rússia não tem, e nunca teve, tais intenções. Mas qualquer agressão contra meu país desencadeará uma resposta decisiva. Não deve haver dúvidas sobre isso”, disse Lavrov.
A guerra na Ucrânia começou em 2022. As primeiras negociações de um cessar-fogo entre os dois países começou em maio de 2025 e ganhou força em agosto com o envolvimento de outros atores internacionais e aliados.
No dia 15 de agosto, Trump se reuniu com o presidente Vladimir Putin e, embora sem acordo de paz, definiu a reunião como um progresso. Alguns dias depois, defendeu a necessidade de uma reunião trilateral entre Ucrânia, EUA e Rússia para por fim ao conflito.
Com a colaboração de informações das agências internacionais de notícias