De barco voador a medidor de suor: Veja projetos de inovação desenvolvidos no Amazonas

Exposição na Suframa atraiu bom público que prestigiou as novidades na área de inovação (Foto: Divulgação/Suframa)

Barco voador, robô para transporte de pessoas e cargas, medidor de suor, recepcionista virtual, rastreio digital de ativos patrimoniais e até um máquina de triagem médica para locais remotos. Essas são algumas das soluções desenvolvidas por institutos de tecnologias e startups instalados no Amazonas que foram apresentadas durante o “II Encontro do Ecossistema de Inovação da Amazônia Ocidental e Amapá”, promovido, na semana passada, pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

O evento de dois dias – 06 e 07 de novembro -, foi uma oportunidade para fortalecer conexões, estimular parcerias estratégicas e promover a integração entre os diversos agentes do ecossistema para impulsionar investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) e gerar impactos positivos na região.

Entre o público-alvo estavam Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs), empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM), startups, incubadoras, instituições de financiamento e órgãos governamentais, além de estudantes e acadêmicos.

“A inovação é a nova ‘semente da seringueira’, que representa uma nova chance de desenvolvimento industrial para a região”, destacou o superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, ao ressaltar que o setor de PD&I já recebeu investimentos de quase R$ 1,5 bilhão.

Para o diretor-executivo do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (INDT), Geraldo Feitoza, o encontro promovido pela Suframa foi uma oportunidade para os institutos de pesquisa da região mostrarem as soluções desenvolvidas a partir dos investimentos em inovação.

“Vivemos num mundo em constante transformação e nós acompanhamos essas transformações. O público em geral precisa conhecer o nosso trabalho, os nossos serviços e as nossas tecnologias, que são desenvolvidas para as pessoas”, avaliou Feitoza.

Bosco Saraiva com o diretor-executivo do INDT, Geraldo Feitoza (Foto: Divulgação)

O portal Panorama Real esteve na exposição promovida ao longo do II Encontro do Ecossistema de Inovação da Amazônia Ocidental e Amapá – que contou com mais de 50 estandes reunindo quase 40 instituições que investem em PD&I na região -, e selecionou alguns produtos e soluções que foram expostos durante os dois dias de evento. Confira abaixo:

Barco voador
Barco voador tem capacidade para transportar até dez pessoas (Foto: Anwar Assi/Portal Panorama Real)

Um dos projetos que se destacou durante os dois dias de exposição na Suframa foi o Volitan, conhecido como “barco voador”, projeto 100% nacional desenvolvido pela startup amazonense AeroRiver. De acordo com a empresa, a ideia é encurtar distâncias na Amazônia, onde a logística ainda enfrenta desafios.

Com custos baixos e boa eficiência, o novo modal promete reduzir emissões de carbono e revolucionar o transporte fluvial – seja de pessoas ou de cargas -, na região.

“Participar deste encontro é fundamental para fortalecer o diálogo entre ciência, tecnologia e desenvolvimento sustentável. A AeroRiver nasceu com o propósito de criar soluções que atendam às necessidades reais da Amazônia, e estar na Suframa é reafirmar nosso compromisso com a inovação regional”, destacou o cofundador e CBO da AeroRiver, Túlio Duarte.

O Volitan voa próximo da lâmina d’água, navegando sem contato com a água e sem tocar na superfície, permitindo que o veículo atinja altas velocidades, de até 150 km/h, com baixo consumo de energia e alta eficiência, sendo ideal para superar os desafios logísticos e de deslocamento na Amazônia. O barco voador da AeroRiver utiliza ainda o efeito solo, princípio aerodinâmico que permite voar a poucos metros da água, reduzindo o consumo de combustível e o impacto ambiental.

O Volitan tem 18 metros de comprimento e autonomia de até 500 km, com capacidade para transportar dez passageiros ou uma tonelada de carga. A velocidade, de até 150 km/h, reduz o tempo de viagem entre Manaus e Parintins de dez para apenas três horas, por exemplo.

Os primeiros testes em água devem acontecer no primeiro trimestre de 2026. Depois da fase de testes e certificações, a pré-comercialização do Volitan está prevista para 2026. “A proposta é atender rotas de turismo sustentável, transporte de insumos, passageiros e serviços de saúde em comunidades isoladas”, afirmou a AeroRiver. 

Recepcionista virtual
Denise é um avatar interativo desenvolvido pelo Sidia (Foto: Divulgação/Suframa)

Outra novidade na exposição da Suframa foi a “Denise”, avatar interativo que conversa com as pessoas em tempo real. O projeto é do Sidia Instituto de Ciência e Tecnologia, um dos maiores na área de PD&I do país.

A Denise age como uma espécie de “recepcionista virtual”, ou seja, uma verdadeira “anfitriã” que utiliza Inteligência Artificial (IA) para gerar diálogos humanizados. Segundo o Sidia, essa tecnologia pode ser adaptada para qualquer negócio e usada na recepção de eventos, museus e aeroportos, sendo suporte para atendimento. 

Robô de transporte
INDT desenvolveu um robô de transporte que suporta até 200 quilos (Foto: Anwar Assi/Portal Panorama Real)

Durante o II Encontro do Ecossistema de Inovação da Amazônia Ocidental e Amapá, na Suframa, o INDT apresentou mais de 10 soluções tecnológicas.

Uma que chamou bastante atenção foi o Robô Móvel Autônomo (AMR) que circulou pelos corredores do encontro e, em alguns momentos, transportou pessoas. Segundo o INDT, essa solução trata-se de um Sistema de Localização Indoor, com hardware embarcado com tecnologia 5G para aplicação industrial de veículos robóticos autônomos.

Conforme informou o INDT, o AMR foi criado para melhorar o processo de fluxo de materiais, tornando este processo totalmente autônomo, reduzindo paradas de linhas e aumentando a eficiência do processo produtivo para as indústrias.

Triagem médica em locais remotos
FPFtech desenvolveu equipamento de triagem médica para áreas remotas (Foto: Anwar Assi/Portal Panorama Real)

A saúde também está no foco dos institutos tecnológicos locais, que buscam desenvolver soluções nesta área, em especial para atender regiões remotas da Amazônia. Um dos projetos de destaque é o K-Doctor, desenvolvido pela Fundação Desembargador Paulo Feitoza (FPFtech).

Segundo o líder de Projetos da FPFtech, Wellington Rodrigues, o K-Doctor é um equipamento de telemedicina portátil voltado para a saúde de pessoas em locais remotos, mesmo sem infraestrutura de comunicação, como em comunidades ribeirinhas ou em aldeias indígenas. A máquina opera até sem energia elétrica, pois possui um gerador portátil.

O K-Doctor realiza a triagem médica por meio da aferição de temperatura, pressão arterial, oxigenação, peso, altura, compondo um levantamento completo dos sinais vitais do paciente. Em seguida, esses dados são enviados para a avaliação de um médico. “O escopo de projeto é adicionar telemedicina; uso de de IA para transcrição e resumo, para que o médico faça um diagnóstico; e, também, transcrição e tradução para uma língua indígena da localidade onde o projeto é aplicado”, explicou Rodrigues.

Segundo ele, o desenvolvimento do projeto deverá ser concluído em junho de 2026, quando será aplicado no município de Jordão (a 451 quilômetros de Rio Branco), no Acre. Nesta região, deverão ser instalados nove quiosques – cinco na sede e quatro em comunidades nos arredores da cidade. “Tentamos primeiro fazer o teste no Amazonas, em regiões indígenas de São Gabriel da Cachoeira, mas demorou para fazer a parceria com o exército e, depois, acabou sendo mais rápido fazer em Jordão, no Acre”, destacou o líder de Projetos da FPFtech.

O K-Doctor, da FPFtech, conta com o patrocínio da Foxconn e coordenação do Centro Internacional de Tecnologia de Software (CITS).

Medidor de suor
Instituto Sidia desenvolveu um medidor de suor (Foto: Anwar Assi/Portal Panorama Real)

Outro destaque na área da saúde é o projeto Perda de Suor e Hidratação, do Instituto Sidia. A solução foi criada para desenvolver e validar tecnologia embarcada em relógios inteligentes, sendo capaz de estimar a taxa de sudorese e o nível de hidratação durante e ao final do exercício físico.

Inventário mais rápido por meio de rastreamento digital de ativos patrimoniais

Outra novidade que chamou a atenção durante a exposição realizada no II Encontro do Ecossistema de Inovação da Amazônia Ocidental e Amapá, na Suframa, foi o projeto desenvolvido pelo Instituto Kodigos de Tecnologia (IKT) chamado RAP – uma solução que facilita o rastreamento de ativos patrimoniais dentro da indústria, tornando esse processo mais rápido e simples.

Segundo o gerente técnico do IKT, Osmar Aguiar da Silva, o Projeto RAP é uma plataforma desenvolvida para rastreio de ativos patrimoniais que combina dispositivos IoT, conectividade sem fio Wi-Fi e software de gerenciamento para localizar ativos imobilizados, gerando alertas, dashboards e históricos de movimentação dos ativos. “De forma simples, é como se fosse um ‘GPS interno’ para a indústria: ele mostra onde cada ativo está, auxiliando no processo de inventário patrimonial”, explicou.

Projeto RAP torna o processo de inventário de uma empresa mais rápido e simples (Foto: Divulgação)

Osmar detalha que o RAP atua como um aliado inteligente na gestão e rastreabilidade patrimonial dentro da indústria. “Cada ativo recebe uma TAG, que está sendo desenvolvida pelo próprio IKT, capaz de captar sinais de roteadores Wi-Fi próximos e enviar essas informações para uma plataforma web. Com base nesses dados, o sistema consegue estimar a localização do ativo com precisão de até dois metros, atualizando automaticamente sua posição no mapa da planta fabril”, disse.

Segundo Osmar, o impacto da tecnologia é direto sobre a produtividade. “Em uma indústria com centenas de equipamentos e mobiliários espalhados por diferentes setores, o inventário patrimonial anual costuma demandar a parada de operações e longas horas de conferência manual. Com o RAP, esse processo se torna rápido, automatizado e contínuo, permitindo localizar ativos em segundos, reduzir perdas e erros de registro e aumentar a eficiência e previsibilidade na gestão dos bens”, explicou.

“Em resumo, o RAP transforma o inventário, antes um processo manual e moroso, em uma operação inteligente, precisa e em tempo real”, concluiu Osmar.

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